
Página caligráfica, do album do Conquistador - Sultão Maomé II-. Trabalho turco (?),
séc. XV. Museu do palácio de Topkapu, Istambul.

Self-Portrait, 1966
Andy Warhol.

Broadway Boogie Woogie, 1942-43
Piet Mondrien.
...e esgravata.













não vos (a)parece que estas imagens têm som e cheiro ... ?

“Porque sou tão infeliz? Porque sou o que não devo ser. Porque metade de mim não está irmanada com a outra metade. A conquista de uma é a derrota da outra”
Fernando Pessoa

Só o luto corrompe.

«'Andorinha,andorinha,minha andorinha', pediu o príncipe uma vez mais,'fica comigo mais uma noite'... Durante todo o dia seguinte, a andorinha ficou sentada por sobre o ombro do príncipe, contando-lhe histórias do que tinha visto em terras distantes.Falou-lhe dos íbis vermelhos, que permanecem em longas filas nas margens do Nilo e que apanham peixes dourados com os seus bicos; falou-lhe da Esfinge, tão velha como o próprio mundo, que vive no deserto e que tudo sabe; falou-lhe dos mercadores, que caminham vagarosamente junto dos seus camelos e levam nas suas mãos colares de âmbar; falou-lhe do Rei das Montanhas da Lua, que é preto como o ébano e venera um grande cristal, da grande cobra que vive nas palmeeiras e que vinte sacerdotes alimentam, com bolos de mel... Por fim chegou a neve e com a neve veio o gelo. As ruas pareciam feitas de prata, de tão lisas e brilhantes que estavam; como punhais de cristal os sincelos enfeitaram os beirais das casas... Até que um dia a andorinha soube que ia morrer. Apenas lhe restavam forças para voar uma vez mais até ao ombro do príncipe. 'Adeus querido príncipe!', murmurou, 'deixas-me beijar a tua mão?'.'Ainda bem que partes finalmente para o Egipto, minha andorinha', disse o príncipe, 'ficaste aqui demasiado tempo; mas deves beijar-me os lábios porque eu adoro-te. 'Não é para o Egipto que eu vou', respondeu a andorinha,'Vou para a Câmara da Morte. Ou não é a morte a irmã do sono?'...» in O Príncipe Feliz , de Oscar Wilde.
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus e como um(a) adolescente
tropeço de ternura
por ti.


Let it die and get out of my mind We don't see eye to eye Or hear ear to ear Don't you wish that we could forget that kiss ? And see this for what it is That we're not in love The saddest part of a broken heart Isn't the ending so much as the start It was hard to tell just how I felt To not recognize myself I started to fade away And after all it won't take long to fall in love___________________...
Now you wanna know the reason