...e esgravata.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

porque hoje me sinto nostálgica.





"Waiting for My Man",

Lou Reed & John Cale @ Le Bataclan , Paris - 1972.

40 comentários:

Nuno disse...

Grande recorrente música .

jaz.mim_tu... aqui. disse...

concordo consigo. e digo mais: depois desta geração visionária, actualmente são poucos, ou muito poucos os músicos que me surpreendem.

absolutamente intemporais.

cumprimentos.

Nuno disse...

Os tempos são outros. Confesso que não ando propriamente actualizado mas ocasionalmente ouço coisas muito interessantes.

Cumprimentos que se retribuem.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

sim, tem razão. eu também, para o azar da minha contita bancária...

eu sou um bocadinho curiosa em relação às novidades/tendências musicais que por aí circulam, e adoro tentar encontrar um fundamento palusível para justificar determinadas "modas" & "fenómenos". encaro a música, tal como outras formas de expressão artística, um instrumento imprescindível para compreender o devir do tal "outro tempo" de que referiu.

olhe, estou a ouvir ladyhawke - "paris is burning" - neste preciso momento, figura conhecida da praça desde há muito, e só hoje me chegou aos ouvidos.

:D

da desactualizada.

Nuno disse...

Boa tarde Lara.

por mim, hoje em dia, não me posso dar ao luxo de ser exaustivamente curioso em relação à música e à arte em geral, aproveito, no entanto, com tudo o que se me depara no caminho.

Creio que era o Benjamin que dizia que a moda era como que um mergulho de génio no passado que visa o replicar no presente de uma condição anterior (qualquer coisa assim)e contrapunha este mergulho ao acto de criação pura que se projectaria no futuro, sem condição (seja lá isso o que for). A minha relação com a arte passará talvez mais pela atracção do segundo termo assim como pela reflexão do primeiro.

A minha desactualização musical chega ao ponto de nunca ter ouvido falar da tal ladyhwke, é bom ?

Vou recorrendo a algumas grandes referências "afectivas" que tenho adequadas ao estado de espírito do momento. Por exemplo estive a ouvir há bocado o "Live at Leeds" dos Who que para mim é um disco que sempre põe um pouco de ordem no âmago do caos (alto e bom som).

jaz.mim_tu... aqui. disse...

olá nuno.

antes de mais quero dar-lhe os parabéns pela inteligente escolha dos "the who" ... já nem me lembro da última vez que os ouvi... também gosto !! e sim, ponha o volume no máximo :D. também costumo fazer o mesmo, mas para outro tipo de registo musical diferente, mais para o jazz...

olhe nuno, ultimamente tenho usado a música como uma maquilhagem [máscara & "make-up"/up!] isto é, "uso-a" precisamente para contrariar o meu estado de espírito, uso-a para dissuadir, iludir, enganar, e entreter precisamente o tal "estado"... pelo que não tenho ouvido as músicas, "estilos" de música, ou grupos musicais etc. com os quais me identifico e venero, percebe? não posso mesmo ouvir nos próximos tempos senão ficaria pior... é estúpido não é? mas tem de ser... por outras palavras, e premita-me a baboseira curriqueira, e sem qualquer de formalidade: o que tenho ouvido ultimamente é, na prática, merdice gira e descartável para me distrair. tem de ser. caso contrário, se me ponho a ouvir aquilo que realmente gosto, (que é tão óbvio...) ui... seria masoquismo... não posso mesmo. vou dar-lhe um exemplo: há dias ouvi "hello tokio", ou coisa parecida, que nada tem de extraordinário, mas no entanto "tive que" (como que uma obrigação moral se tratasse) ouvir para me distrair. e não me "soube" mal... nem bem... estou a aprender a gostar de coisas "assim-assim"... bem, adiante. quanto a "ladyhawke " é bem interessante, existem várias versões em remix (peaches - fabuloso! ) e em francês (a minha preferida) da música que referi... é muito giro...

como deve imaginar eu não ando atrás das modas, e tenho mais que fazer do que me ocupar única e exclusivamente da música ou da arte. há quem não consiga passar um dia sem jogar playstation por exemplo, eu não consigo passar um dia sem ouvir música ou ver uma ou outra "coisita" mais bonita/bela do que o meu dia-a-dia, percebe? é um mimo que me ofereço a mim própria, enfim... e que mal tem gostar de compreender o fenómeno do "gosto" contemporâneo. baudelaire e benjamim também o fizeram :P.

a minha relação com arte não deve andar muito longe da sua. não obstante, padeço de um terrível defeito: sou um bocadito preconceituosa, e dou, sempre !!, mais atenção às artes marginais e a outras formas de contra-cultura do que às que estão em voga, é terrível... mas não tenho emenda... acredito que são sempre emancipatórias... e antecipam sempre algo mais interessesante.

peço que me desculpe da pobreza deste comentário, mas estou um bocadito ko.

;)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

p.s.: gostei imenso da evoção do senhor benjamim, só lhe fica bem, "sim senhor".

Nuno disse...

Boa tarde Lara.

Efectivamente pelo que tenho visto por aqui neste seu sítio não a "considero" uma pessoa agarrada a estereotipos, terá talvez uma elegante veia diletante muito distinta ; quanto à minha relação (de curioso) com a arte devo dizer que não é nada "pacífica" chegando até a ser "radicalmente" ambivalente. O que quero dizer com isto é que se por um lado sou sempre "tocado" pela expressão do belo,de uma forma "afectivamente instantânea",por outro tenho sempre presente qual o significado funcional desta afecção e do que ela representa em termos de condicionamento. Como deve calcular esta é uma posição sempre no limite do fracturante mas aprendi a perceber que a manifestação "mais pura", ou quem sabe o próprio "objecto" da arte, ou da actividade artística, se encontrava por aqui,na reflexão e posterior intento de resolução deste paradoxo.Esta reflexão do problema da acção (pela arte neste caso),e como deve calcular, levou me a apurar a atitude conceptual, óbvia, do nihilismo do século, a atitude óbvia do "exigir o impossível" como única racionalidade possível, sendo que, este impossível é, óbviamente, a transcendência do homem ; será esse o sentido da arte,ou da cultura, o de criar ou gerar as condições da sua própria inexistência. É por isso que lhe chamamos impossível.Quanto ao "que fazer ?" ou "como fazer?" acredite que é assunto que já me queimou muitos dos neurónios que ainda vou possuíndo e que me pôs face a face, por diversas vezes, com o âmago desta impossibilidade. Fala de cultura e contra cultura e devo dizer que também sofro desse pequeno preconceito de que fala mas que, reflectido, na práctica até,não se esvai, antes estende se aos dois termos de que fala, que vistas bem as coisas à luz do dispôr do funcionamento deste "edifício" de que falo, têm a mesma função talvez em modos diferentes que se completam.

Muito gostaria de ter tempo e cabeça para alongar este comentário sobre este assunto mas de momento não me é possível, talvez num outro dia.

Cumprimentos. N.R (Ok.ran)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

...
...

olhe nuno, só tenho que agradecer a preciosidade das suas palavras, e felicitá-lo pela nobreza da sua sensibilidade, "pura", bem como da rerspectiva plenitude intelectual em relação à arte.
subscrevo cada linha que me "ofereceu" a este espaço.

ao contrário dos demais, ainda conservo um certo sentimento ingénuo e "romântico" [da genialidade romântica] no que respeita ao entendimento da "arte". mais do que um instrumento de informação, comunicação, contestação etc... a arte tem de me proporcionar, antyes de mais, um prazer despojado, tem de me causar uma empatia inexplicável, visceral, [uma identidade semelhante do eros aos thanatos] superior e que transcenda precisamente os limites do racional.

...


definir e explicar a "arte" já é uma questão tão obsoleta... (confesso que já me sinto cansada/fartinha/estoirada de explicar esta "questão") ninguém soube definir tão bem quanto diderot com o tal "l'art c'est quelque chose" - palavras sublimes que explicam magistralmente o universalismo [intemporal] da arte. porque quando algo superior nos "toca", só o silêncio arrebatador dos sentidos, concede-lhe a devida dignidade, por isso ficamos "sem palavras"... e não nos conseguimos exprimir...

obrigada, nuno.

[então o nuno é o autor do blog "o ressurgir dos tempos"! que engraçado... sem saber, já o tinha incluído como sendo um dos blogues de referência/da minha preferência].

:)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

errata: tenho imensos erros ortográficos muitos dos quais por distracção, nomeadamente o "pRemitir" :) que deveria ser "permirtir", naturalmente, e "que ofereceu a este espaço".

peço que aceite as minhas desculpas...

nuno disse...

Brilhante a sua "identidade semelhante de eros e tanatos", não posso deixar de me lembrar do prefácio de freud a "para além do principio do prazer" que dirá qualquer coisa como isto, e "cito" de cor : apesar de utilizar estes dois termos eros e tanatos com vista à demonstração de um processo, no fundo, e não nos deixemos enganar, tudo é eros.

Quanto à impressão de que fala, ou à sua captação, confesso que é um tema que me é bastante caro e ao qual sempre prestei muita atenção, vejo o como momento de impressão (ler afecção) directa pelo paradoxo que falámos, trata-se da impressão que me lembro de ter sentido, por exemplo, ao pela primeira vez ter ouvido o disco que lhe referi, ou alguns quadros de vermeer, ou algumas obras de beckett, isto a título de exemplo, é um tema que continuo a trabalhar, a par da "dupla inversão" de que também já falamos, trabalho do qual só tenho conseguido completar alguns estilhaços laterais.

Diria, talvez excedendo me, que a marca da "verdadeira" genialidade é a consciência desta afecção no momento da projecção da obra (de arte, neste caso)- Penso neste momento, talvez como exemplo mais acabado do que digo, no quadro de vermeer "a arte da pintura ou o atelier do pintor" (não estou certo quanto ao nome do quadro).

P.S - Quanto à ignorância que invoca devo dizer lhe que não acredito nela nem por um segundo reconheçodo lhe aí, no entanto, uma simpatia deliciosa (desculpe me o termo) aliada a um humor muito subtil e inteligente que aprecio.

:)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

oh, delicadeza da sua parte nuno... ultimamente "isto" anda tão mau que cheguei ao ponto de confundir fleming com fleming; ipo com ipo; armstrong com armstrong; ren com ren, enfim... preciso de férias.

;)...

o pior é que quando alguém, ou alguma situação que está a ocorrer, me estimula intelectualmente , por exemplo, e se torna um brilhante afrodisíaco para o meu cerebrozinho... fico perdida e perco, literalmente, a noção do que digo ou escrevo, o meu pensamento flui a velocidade cruzeiro e nem sempre a escrita acompanha o raciocínio... mas também, depois, de ler o que escrevi nem me dou ao trabalho de corrigir, chego a achar piada a esta minha "deformidade" auto-psicográfica... acho piada ao facto de assumir publicamente os erros, as falhas...[sou ignorante, sou...nuno.]

.relativamente ao seu comentário [e suspiro profundamente], cita três grandes pensadores/senhores que muito admiro: freud, vermeer e samuel beckett...

.quanto às suas restantes consideração pessoais, olhe... estou "sem palavras", admiro-o imenso, também.


concordo com freud,, claro: tudo. tu.do. é eros. eros é o genesis de tudo. eros é o móbil de tudo.



p.s.nem sabia o significado do "apontar do bicho"... vê, quer melhor exemplo para atestar e confirmar a minha imbecilidade...?.

nuno disse...

Esse é o tipo de confusão que me acontece a toda a hora e o pior é que já gozei as minhas férias :).

Quanto às suas "gralhas", o assumir delas, não creio que seja sinal de ignorância, antes pelo contrário ; de qualquer forma é pormenor ao qual não dou a mínima importância.

E devo dizer lhe, para terminar, que a forma de escrever que refere é, para mim, talvez a forma mais "pura" ou mais "pregnante" da dita escrita, talvez não para mim com esse sentido de "referente externo" mas sem dúvida com essa atitude.

Com admiração.
Nuno.

nuno disse...

Quanto ao "apontar do bicho" como poderia a Lara saber o que eu queria dizer se foi apenas uma expressão do momento (?)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

...

...

;)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

confesso que o "apontar do bicho" fez-me sentir durante uns tempos um bocadinho mentecapta...

nuno disse...

Confesso que esse "efeito" que refere em si me escapa de todo, a sua causa quero dizer.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

não [me] ligue...

há dias em que me sinto muito "sub/infra-qualquer-coisa"...

nuno disse...

... como a compreendo, diria até que há já alguns dias me sinto assim, enfim.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

nuno, "...we're all living on a yellow submarine...",
permita-me a imbecilidade desta cantoria, altamente despropositada e quiça fora de contexto, mas ocorreu de momento.

:)

nuno disse...

Não considero despropositado, a mim ocorre me antes " ... i'm so tired, i haven't slept a week (...) my mind is on the blink "

jaz.mim_tu... aqui. disse...

;)

estamos ambos no mesmo barco...

nuno disse...

... ou submarino

jaz.mim_tu... aqui. disse...

...pois.

:)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

não obstante, a representação mental do "barco pequenino" à deriva sempre é mais melancólica e asfixiante no meu imaginário, talvez traduza melhor o estado de espírito.

nuno disse...

... proponho antes uma jangada, como fora objecto "consensual". :)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

reporta-me mais para o universo aventureiro e da "ventura" de júlio verne.

:)

nuno disse...

Ah, a ventura com que, em criança, lia esses livros ; penso, por exemplo, no strogoff, que não ficou cego porque, aquando da lâmina em brasa sobre os olhos, chora, por não mais poder contemplar o rosto da amada, sendo que, é este mesmo chorar que lhe humedece os olhos e o vêm a salvar, da cegueira digo. N:

:)

Jangada, jangada, só me lembro daquela no oceano do centro da terra.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

admito que só me fazia começar a reler esses e outros textos, tal como os de jack london, kerouac... preciso de me resgatar deste meu entorpecimento-marasmo atávico-abnegado-resignado. precisava de me sentir assim, destemida, sabe...

nuno disse...

Sabe lara, pelo que tenho visto neste seu espaço não tenho, de todo, essa ideia "atávica, resignada e abnegada" que me relata de si.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

lapso: "só me fazia bem começar";

...

...

fico sempre com a sensação de que tudo o que faço "fica sempre pela metade...".

:)

nuno disse...

Chamaria à sua "petite sensation" qualquer coisa como uma "onthological awareness". :)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

querendo quero o infinito, fazendo nada é verdade...

e tudo isto só para dizer que invejo a felicidade do "gato que brinca na rua"...

:)

nuno disse...

Mas lara, "ao gato que brinca na rua" tudo isso lhe passa ao lado ; se é "feliz", desconhece o em absoluto - talvez a tal "felicidade" passe por aí. :)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

...é um sentimento paradoxal: por um lado, passo a vida a queixar-me da minha pseudo-lucidez, visto que me torna pequena, impotente, fraca e esmaga-me... é terrível, queria demitir-me de mim própria, mas por outro, em algumas circunstâncias, e apesar de todas as contingências menos favoráveis e adversidades da vida, por vezes acredito que devo pertencer àquele grupo de loucos que vêem o mundo "no alto da montanha", citando agora o nosso nietzche :), não estou com isto a dizer que sou "grande", mas vejo e apreendo o mundo, numa perspectiva ou a partir de um ponto elevado e amplo, percebe... acho que acaba por ser positivo.

[o discurso de hoje não é dos melhores, como já deve ter reparado nuno, mas hoje sinto-me extremamente cansada...:), desculpe-me sim?]

mas muito sinceramente lhe digo, nuno, preferia que o "mundo" me passasse ao lado, adorava ser alguém não muito "consciente"...:/

tudo, ou quase tudo, me irrita, uff!

nuno disse...

Olhar distanciado do mundo diria eu, ainda a olhar o mundo, e depois o tal "efeito ordinário" à reentrada na atmosfera ... enfim, somos o que somos, passo a redundância.

O seu "discurso" é optimo lara, por mim, aprendi a não me irritar por "aquela palha" ; para quê afinal, a irritação digo.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

;)

jaz.mim_tu... aqui. disse...

penso que foi v. woolf que disse que a felicidade reside no uso livre das nossas capacidades. olhe, faço os possíveis e os impossíveis para fazer uso, apropriado, digno e devido, das minhas. portanto, posso considerar-me uma pessoa feliz!

além do mais, tenho "gente" que me é muito querida com quem faço questão de partilhar um belo punhado de cerejas, vê a felicidade também passa pelas "coisas" simples...

:)

[é um prazer falar consigo]

nuno disse...

Nunca li V.Woolf mas à partida concordo inteiramente, digo à partida porque a noção "livre" fica por "ruminar".

A "felicidade", diria eu, passará sempre pelas coisas simples, sejam elas cerejas partilhadas ou pensamentos "solventes", também partilhados. :)

O prazer é recíproco lara.

jaz.mim_tu... aqui. disse...

;)

jaz.mim_tu... aqui, deixara de o ser.

à espreita de fa|c|to & gravata.

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