de factum...

...e esgravata.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

consciência ecológica.













Trocar as meias e os collants incómodos por um twist no Jack Rabbit Slims até escaldarmos os pés na pista de dança, juntos.



My Name's Breezy, Make the Girl Dance * Physical, The Glimmers* Tricky - Puppy Toy* And Then He Kissed Me, Flying Lizards * Baby (Deep Soul 45), Phenomenal Handclap Band * Scientist of Love, Jessie Evans * Ready for the Floor, Lissy Trullie (Hot Chip Cover) *Love Comes Close, Cold Cave* Kelly Watch The Stars, Air (Moog Cookbook Remix)* Hot Like Fire, The XX.

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I'll Never Let You Go, 24 Carat Black * Moving-Grooving, Little Francisco Greaves [Panama!3]* Other End, Vega * You never can tell (C'est la vie), Chuck Berry* Heart of Soul, Northern Soul*You're the top - Cary Grant & Ginny Simms * In the Mood , Glenn Miller * I Wish, Stevie Wonder * Let's stay together, All Green * Yummy Yummy Yummy, Julie London * Sugar, Lee Wiley & Eddie Condon * Fever, Peggy Lee * Let's Get Lost, Chet Baker * Changes, Cymande * Loving you, Minnie Riperton * Sexual Healing, Marvin Gaye * Move on up, The Jam * Here's a Star, Neon Indian * Watching The Planets, The Flaming Lips* Feel it all around, Washed Out * Doing It Right video, The Go! Team* Game Is My Middle Name, Betty Davis * Make the feeling go away, Billie Davis * Surprise Hotel, Fool's Gold,(Memory Tapes Remix) * Bonnie & Clyde, Brigitte Bardot & Serge Gainsbourg * Lover, Lover, Lover, Leonard Cohen * Superstar, Sonic Youth * Let's Ride, Gonzales * Outta Space, Jimi Tenor * Cosmological Constancy, Kelley Pollar * Des étoiles electroniques, Stereolab * Désir, désir, Vincent Delerm & Irène Jacob * Beat No. 3, Ennio Morricone * Le Soleil Est Près De Moi, Air* Collapsing at your doorstep, Air France * Catavento, Dave Grusin.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

de passagem.



2 colunas, 12 linhas e 60 caracteres, aproximadamente, afiguram-se-nos como um corpo de texto franzino receando as represálias dos matulões por coroar o cabeçalho da pág. 12 do suplemento "P2" de hoje. Henrique Pousão merecia mais; muito muito mais. mais tinta, letra, palavra, cuidado, imagem e divulgação. Ainda assim, não me queixo: considerar a hipótese de eventuais leitores, mais atentos, lhe terem dedicado 5 segs. de atenção já é um feito. gostei, apesar de tudo. Apesar da relevância minúscula atribuída por muitos letrados a um dos nomes maiores do modernismo. Pousão, assim se chamava, o cézanne português*.
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[*] se o compararmos com aqueloutro nome de referência pode ser que lhe seja dada a devida atenção. fomos sempre prodigiosos a perder tempo na comparação das coisas. se bem que neste caso até fazia algum sentido...
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

honey, don't cry for nothing. i'm home...








































"The Awful Truth", 1937;
Leo McCarey.


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my sweet 'cotton club' mood:

____________________________"El Perro", Juana Molina--_..¨¨ "Good Morning Heartache", Billie Holiday-.._- "Wake", The Antlers-_---..¨¨ "Norway" Beach House-_--.. "Mary", Taxi Taxi!-_--..¨¨ "I sing, I swim", Seabear-_..¨¨ "Ev'ry time we say goodbye", Nina Simone--..¨"Down the steps", Hope Sandoval_ ¨¨-.. --
"Come Rain Or Come Shine",The Bill Evans Trio -_..._¨¨ "
Umbrella Man", Dizzy Gillespie & Louis Armstrong_¨¨...- "It's Raining", Irma Thomas -_..._¨¨ "Les Parapluies de Cherbourg"[Jacques Demy], Michel Legrand_...-- "Love will tear us apart", Susanna and The Magical Orchestra_...--¨. "Just Like Tom Thumb's Blues", Nina Simone -..."November", Tom Waits_--..--¨. "Insónia", Tiago Sousa_...¨¨--


"Le Tourbillon de la Vie"[J&J de François Truffaut], Jeanne Moureau-..¨-.


"I'll Never Let You Go", 24 Carat Black_...--¨..

"Moving-Grooving", Little Francisco Greaves [Panama!3]_...--¨.

"Dancing with the one you love", Ducktails_...--¨.

"Build Voice", Dan Deacon_..--¨.

"Walkabout", Atlas Sound & Noah Lenox_--..¨.

"My Boys", Taken By Trees-¨¨--.

"Eros"[Michelangelo Antonioni], Caetano Veloso_...--.

"Nature Boy", Jon Hassell & Ronu Majumdar_...--¨¨..

"Evening Land", Jan Garbarek & Mari Boine_...--¨-¨


"The Build Up", Kings of Convenience & Leslie Feist-..---.

"You've Got the Love", Florence and The Machine & The XX --¨¨.

"Like A Child", Junior Boys---_-¨¨

"Neon Beanbag", Stereolab-_...¨

"Jon Hopkins", Light trough the veins-...¨¨

"Islands", The XX --_--..

"Lover", Nite Jewel _...¨¨--

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__________________________________________________________________________________Down the steps, fast asleep, wake up, make us some tea...
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sábado, 1 de agosto de 2009

__________________posso?

... de onde me vem esta culpa de não querer amar?
Meu Deus, não tenho religião mas quero rezar.
Escutas-me?

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

...com os dias contados.


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True love finds you in the end
You'll find out just who was your friend
Don’t be sad, I know you will,
But don’t give up until
True love finds you in the end.
This is a promise with a catch
Only if you're looking will it find you
‘Cause true love is searching too
But how can it recognize you
Unless you step out into the light?
But don’t give up until
True love finds you in the end.
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Cibelle [com]promete[-se] a deus nosso senhor Daniel Johnston.
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_________________às portas do paraíso.



























Painel do portal principal da Basília de N.ª Senhora de Fátima,

Pedro Calapez.





















Pormenor.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

clair de lune de claude debussy.

clair-obscur de jean cocteau.





















Carta de Jean Cocteau a Jean-Pierre Rosnay.

[outras tantas aqui].



Aproveitei-me, confesso, de certos acidentes

Do mistério e de erros de cálculos celestes.

Aí está toda a minha poesia: eu decalco

O invisível (o que para vós é invisível).

Ao crime disfarçado em trajo desumano,


«Mãos ao ar!», gritei eu, «É inútil reagir»;


A encantos informes tratei de dar contorno;


Das astúcias da morte a traição informou-me;


Com tinta azul fiz aparecer, de súbito,


Fantasmas transformados em árvores azuis.


Será louco dizer que é simples ou sem perigo


Empresa semelhante. Incomodar os anjos!


Descobrir o acaso em flagrante delito


De batota, e as estátuas a tentarem andar!


Por cima de cidades que pareciam desertas,


Nos mirantes aonde somente chega a voz


Dos galos, das escolas, buzinas de automóveis


(Os únicos ruídos que das cidades sobem),


Surpreendi, provindos dos subúrbios do céu,


Assombrosos rumores, gritos de outra Marselha.




«Par lui-même", VV 1-20, Opéra», 1927;


in Vozes da Poesia Europeia – III. Trad. de David Mourão-Ferreira.

________como o céu estrelado.



sábado, 25 de julho de 2009

I acto, cena 5, 15–18: o leite da ternura humana .


























Glamis thou art, and Cawdor, and shalt be
What thou art promis'd. Yet do I fear thy nature,
It is too full o' th' milk of human kindness
To catch the nearest way.

in "Lady Macbeth" de William Shakespeare.



my sweet 'cotton club' mood: "Theme Song ..." de Miho_ ¨¨-.. --

_____________________________"Fighting Smiles" de Jonquil_¨¨...-_--..

_____________________________ "Diamond day" de Vashti Bunyan -_..._¨¨

______________________________"Rum Hee" de Shugo Tokumaru_...--__¨¨

______________________________"Wonderful World" de Sam Cooke_...--¨¨
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terça-feira, 14 de julho de 2009

união de factum.


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Erro, tremendo erro: não, não era a rosa a flor do Principezinho, reponha-se a verdade. Era a Kika V. Essa mesma: a minha flor, a linda flor que ultimamente me tem perfumado os pensamentos. Leve e delicada, repousa as pétalas azul celeste doirado, e brinca comigo todos os dias nas ondas do meu cabelo à hora do recreio, no meu jardim. Eu gosto muito dela e ela, a minha menina também gosta de mim, assim.


[se nos conhecemos? ora, ora, claro que sim! se dúvidas existem: ela].
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my sweet 'cotton club' mood: "Lakmé Flower Duet" de Madame Butterfly_ Puccini-.. --[ambas c/ Manolos, Toilette Lacroix, muito pneirentas e enfeitadas]
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_____________________________"Ma fleur" e "Child Song"_The Cinematic Orchestra_.._¨¨--[tu, de Manolos eu de havaianas]
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_____________________________"Beautiful Flower "_Indie Arie---¨¨_----..[s/ nada. descalças. cabelos ao vento]
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

de passagem.





















Abre. Folheia. foge e voa. lugar-outro. Fecha. cai e desce. 3 degraus. lugar-em-si: rés-do-chão-do-pensamento. Abre. Folheia. volta a fechar. Volta. gira e vira. Olha. Primeiro p/ um lado. Volta. olha e roda. Depois p/ o outro. Perde-se no lugar que rememora onde se demora. Tonta-feia: não reparou no lugar da frente. disponível. Não viu a janela entreaberta, tão pouco. Tonta-feia-nada-gira. Fecha.
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Próxima paragem. A viagem da qual me livro. virar de página, mudar de livro. Dar um giro.
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ensaio-em-frente-ao-espelho#69...













"La nuit américaine", 1973;
François Truffaut.


...p/ não tropeçar nas vírgulas quando decidir amanhecer no cotovelo da rua,
no frente-a-frente da boca do dia*.

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[*]na hora "H"com os pontos nos "is".



quarta-feira, 8 de julho de 2009

vagabond shoes, you've gone a stray, happiness lies the other way, so, turn around, turn around, away from the blues...




"Me and You and Everyone We Know", 2005;

Miranda July.
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entre mim e os meus passos há uma divergência institiva constante
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my sweet 'cotton club' mood: "Oh! September "_Mirah---¨¨_----..

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take me home again, home again, home again vagabond shoes.

terça-feira, 7 de julho de 2009

don't call me violet.


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The Brown Bunny, 2003,
Vincent Gallo.


i like my body when it is with your body
it is so quite new a thing muscles better and nerves more
i like your body
i like what it does,
i like its hows
i like to feel the spine of your body and its bones,
and the trembling-firm-smooth ness and which i will
again and again and again kiss,
i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the,
shocking fuzzof your electric fur,
and what-is-it comes over parting flesh . . . .
and eyes big love-crumbs, and possibly
i like the thrill of under me
you so quite new.
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e.e. cummings.
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domingo, 5 de julho de 2009

...a caminho da letargia.




















"I Know Where I'm Going!", 1945;

Michael Powell;
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sábado, 4 de julho de 2009

macaquinhos, assim se chamava em dois mil e [muitos] picos.

Ontem, fiquei uns bons três quartos de hora com os ouvidos retidos no carro só para ouvir o interessantíssimo debate da tsf cujo tema central incidia sobre a urgência de novas propostas, metodologias e critérios para a recuperação do património arquitectónico. Muito embora o estômago, já colado às costas, denunciasse a minha vulgar condição humana, escutei atentamente as considerações dos convidados, em especial as intervenções do arq. Nuno Teotónio Pereira.

Absolutamente esclarecido, desafectado dos academismos bolorentos, dos princípios positivistas restauracionistas resultantes do entendimento estético romântico - absolutamente anacrónico, obsoleto, redutor, alheio e desajustado perante as questões do novo milénio no que toca à preservação, conservação e salvaguarda dos bens arquitectónicos - , reputava o arquitecto para a necessidade de libertar as práticas de reabilitação de tais constrangimentos historicistas.

Não é preciso nos deslocarmos aos "centros históricos" das grandes capitais de distrito para nos apercebermos da dimensão das sábias palavras do arquitecto. Basta abrir as janelas do nosso quarto, olharmos ao nosso redor e os exemplos são gritantes. Em todas as cidades do nosso país, as intervenções (agressões) cometidas pautam-se, grosso modo, por linhas que primam pela política do fachadismo nauseante, decorativo, maquilhante, à laia dos contos de fadas disneyscos...bonitinhos, desastrosamente mimética. de pastiche. Um discurso que prima pela aparência de um imaginário que se pensa ter sido ou existido, e que acaba por deturpar e desvirtuar a própria identidade e longevidade do edifício, pelo medo mesquinha de se assumir a marca do tempo presente na sua intervenção. Uma prática corrente que o torna invariavelmente refém de um tempo histórico passado, morto.

Acredito que Nuno Teotónio no seu discurso não pretendia suplantar o legado histórico de um determinado bem arquitectónico em detrimento de uma reconstrução ex-nuova, desprovida de um herança genética. Parece-me, antes, que o arquitecto alertava para a necessidade de enterrar os mortos, relevando a assinatura do tempo presente. Marca da nossa contemporaneidade. Porque do presente se faz também a História, porque o momento presente veicula uma realidade sígnica tão válida como em qualquer outro período Histórico. Parece-me que o arquitecto reivindicava a libertação dos estigmas, determinismos e contaminações pretensamente historicistas e redutoras, das falsas questões e clichés associados aos critérios de valorização e de salvaguarda do património arquitectónico, nomeadamente do simbolismo pretensamente intrínseco de que se reveste determinado imóvel, ou da pretensa salvaguarda da memória afectiva.

Contundente e sem floreados, Nuno Teotónio remata o seu discurso com a simplicidade de uma curtíssima frase que só os grandes mestres conseguem elevar graças à profundidade do seu pensamento e verticalidade do seu espírito :

"a memória extingue-se e mais nada. Extingue-se e pronto. A memória extingue-se. Apaga-se"!

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Só ontem, depois de ter ouvido estas palavras compreendi os meus amigos quando por vezes, e não raras vezes, me interpelam os pensamentos com questões aparentemente inócuas. A Andreia, por exemplo, tem por hábito perguntar-me onde escondo as minhas duas antenas e qual a marca de fond-teint que uso para disfarçar tão bem a minha pela verde, e sem dó nem piedade tem ainda a distinta lata de me pedir para lhe apresentar o E.T. Ela tem razão. A minha memória não se extingue. Era suposto extinguir-se, não era? Susan Sontag, Rosalind Krauss, Freud e tantos outros autores que, entre diversos temas de estudo, se ocuparam do sistema neurológico no que concerne aos meandros dos mecanismos da percepção e comunicação abordam temas como os da amnésia, da intermitência, do esquecimento, do estado de choque enquanto condições necessárias para aquisição selectiva do conhecimento, as quais funcionam simultaneamante como mecanismos de defesa cognitiva, inconsciente, necessariamente volátil, por forma a fazer frente/protegendo-nos das ininterruptas agressões visuais e solicitações a que os nossos sentidos são alvo. numa era absolutamente povoada por léxicos bélicos, bombardeada por imagens visuais e sonoras que constantemente atingem a nossa memória; era permeável à torrente de inputs que recebemos sem nos darmos conta. Pelo que, para bem da nossa sanidade mental, da regeneração da memória, o cérebro vai seleccionando e anulando registos sensoriais e cognitivos que foram sendo apreendidos diariamente tendo em vista a assimilação de outros novos dados, brand new. A memória, como um disco rígido, vai-se apagando e anulando em catadupa e sistematicamente... para o nosso bem...

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...

Quem me dera ser assim . Normal. Esquecer-me de tudo. Tudinho. Começar a receber inputs, num disco rígido clean, virgem, imaculado. Apagar. Apagar-me. Formatar o passado, a memória simbólica e historicista, implodir ou explodir o arranha-céus que rasga e fere o meu espaço. Apesar da minha rica cabeça ser uma poderosa super-potência, os talibans não querem nada comigo... Quem me dera fazer do meu cérebro um ground zero et voilá! Brand newinha em folha branca. Queria ser como Le Corbusier e fazer tábua rasa do passado e do legado histórico, demolir as malhas urbanas enredadas e labirintícas, construir o novo! Clean. Mas eu detesto a arquitectura corbusiana, compreendo o princípio emancipatório, o enquadramento mental e artístico, mas detesto. É fria, despida, impessoal, estanderdizada e emparadedada - uma máquina para habitar...?? non merci, je refuse!. Alegorias tão bem retratadas por Chirico nas suas composições solitárias, monolíticas, opressivas... ou por Antonioni numa bela cena d' O Eclipse... repleta de lugares perdidos... mudos, isolados, ausentes... monolíticos, também... Fazia-me bem gostar da arquitectura de Niemeyer que é belíssima. Mas não gosto. É imberbe e solitária. Desprovida do pretérito-perfeito de um tempo. Desprovida de registos, de lembranças, de memória. Uma arquitectura orfã, sem parentesco. Bolas, como gostava de querer passar a gostar de arquitecturas descontaminadas, desafectadas, desinfectadas e esterilizadas. Criadas em terreno novo .

Mas não. Continuo a gostar dos meus arquitectos clássicos, que continuam a aceitar e tomam como desafio o confronto de diálogos espacio-temporais que se intercepcionam, da convivência pacífica de espaços novos e de memória como fizeram Fernando Távora ou Siza. Criaram uma arquitectura de diálogo enlaçada em reflexos e linhas que antecipam sempre algo. Novo.

Porque não sou arquitecta. Porque não sou engenheira informática. Porque também não sou alienígena. Sou complexa. Eu. Eu gostava apenas de fazer e ser como a Andreia. Pragmática. A GRANDE Andreia que consegue apagar tudo e todos com uma altivez estonteante. Não concebe um dia sem a formatação de alguns dos seus dias. Limpa diariamente o seu disco rígido. Invejo-a por isso. Parva sou eu que vivo presa a back-ups. Parva sou eu que me formei/deformei, especializei/despecializei-me numa ciência que me obriga a recorrer à memória e ao belo. Parece-me o bode expiatório perfeito para me lembrar apenas dos momentos belos. passados. do passado.
Parva sou eu... que teimo em desenvolver o músculo mnemónico, parva sou eu que devia viver a vida alheando-me de tudo e de todos, abandonando definitivamente o luto dos mortos que deveriam estar enterrados. Parva sou eu que devia cultivar o carpem diem, como faz a minha Andreia.

A culpa não é minha, a culpa é da minha profissão que diariamente me faz evocar e escrever sobre o belo e sobre a memória.

E a propósito do belo...

Se obras há que me provocam inveja são as cabeça de Modigliani ou as musas de Brancusi. Pudesse eu ser assim. Pudesse eu repousar na serena, polida, dúctil beleza e frieza dos pensamentos... como eu queria. Ter uma cabecinha opaca e brunida e alva como o mármore imperial de Carrara, ou o dourado aurático do metal cintilante em vez das minhas duas antenas e da minha pele verde.
Não tenho o hábito de emprenhar pelos ouvidos, mas ouvir as palavras de Nuno Teotónio Pereira fez multiplicar os macaquinhos que povoam o meu rico cérebro. Demasiado pequenino, porém, para tanta macacada.
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my sweet cotton club mood:"Goodbye to the past"&"Back to the beginning" _Annette Peacock ---__¨¨..-_


quarta-feira, 1 de julho de 2009

p/ o service-room da pensão.

- sete cobertores de pura lã virgem;
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- quatro lençóis de linho;
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- três ____"___de algodão;
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- cinco mantas de flanela felpuda axadrezada ;
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p.s. : solicita-se que todas as camadas de mantas, cobertores e alcochoados dispostos sobre o leito sejam encimados por dois edredons de penas, após o que será de sobrepujar a presente composição com uma manhosa colcha de renda (dispensa-se a imaginária do menino jesus deitado sobre o coxim ou almofada imaculada de setim).
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[quero apenas 23 bons motivos ( de preferência, razoáveis) para me sentir asfixiada].
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red roses, dead roses?


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Poderá a iconosclastia no romantismo asfixiar o amor?
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

de factum.













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«pii.#4$&/!!'ª\#º-se!! pii.»: não há sensação mais
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catártica que uma sessão de 15 minutinhos na esteticista,

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com direito a lagrimita no olho e tudo.
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my sweet 'cotton club' mood: "Santa Baby"_Eartha Kitt ._¨¨_----
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

p/ este fim-de-semana.

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"Sweet Candy",
Chet Baker.

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porque o verão está à porta e as "férias grandes" à espreita:
















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my sweet cotton club + dois cubinhos de gelo + rodelinha de limão prestes a serem servidos.

...entretanto enquanto se espera vai-se saboreando:









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my sweet 'cotton club' mood: "
Borderline"_ Flaming Lips_. ---__...¨¨





[a desenvolver].

shhhuuu...
























lugar-santo.

a mesma origem noctura.















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"Der Misanthrop", 2002
Rui Chafes.



Rui Chafes - "... Marcel Duchamp esse grande sacana!"
a-de-braços-cruzados - Marcel Duchamp... sacana?!?!...
Rui Chafes - "Tão sacana quanto John Cage!"
a-de-braços-cruzados- não posso crer?!? Então por quê?! Aprecio ambos: foram provocadores, quebraram os cânones estabelecidos, subverteram os princípios pretensamente absolutos da arte... atribuíram novos significados, aproximaram a arte à vida e a vida à arte. Abriram caminhos para novas derivações e concepções artísticas, não compreendo...a sério...
Rui Chafes - "desviaram a arte para um caminho estreito, empurrando-a para um beco sem saída."
a-de-braços-cruzados- hum... Duchamp fez a acepção da obra de arte como a negação da própria obra de arte, é isso? Cage fez a acepção da música como a negação da própria música.
Rui Chafes- " Cage cria música, ou reproduz o som de uma porta que se abre? é música ou o som".
a-de-braços-cruzados- É o som, ele cria e valoriza o som, a melodia e o silêncio, a urgência do silêncio na sociedade contemporânea e não o ruído...
Rui Chafes - "mas não é música: é o som da porta. de uma porta."
a-de-braços-cruzados- então, está a dizer-me que importa devolver o 'sentimento aurática' e o 'sentido transcendente' à arte? Reivindica a necessidade de sair do minimalismo ou do pós-minimalismo 'imposto'?
Rui Chafes - " da urgência de libertar a arte pós-duchampiana instituída... a qual ainda subsiste...inexplicavelmente"
a-de-braços-cruzados- persistência anacrónica...
Rui Chafes - "da necessidade de libertar a arte da vacuidade deste mundo tecnocrata, cibernético, facilitista. da arte facilitista e do facilismo na arte e das facilidades promovidas no mundo moderno"...
a-de-braços-cruzados- ...no sentido de restituir a grandiosidade da criação, enquanto 'trabalho físico e árduo', como diz, da concepção artística, do acto de criar como nos pré-rafaelitas e simbolistas...? Devolver o sentido superior, do sagrado, metafísico... à semelhança da arte gótica com a qual identifica os seus 'trabalhos'?
Rui Chafes - " é angustiante ver uma beata de cigarro exposta enquanto objecto artístico... actualmente, deixou de haver o tal «êxtase» contemplativo. existem viveiros especialistas de uma arte e os museus um laboratório de analistas que se especializaram... banalizaram a arte. qualquer coisa serve e 'é'."
a-de-braços-cruzados-- restituir o sentido supremo da arte, elevação superior e imaterial do objecto, a arte que "tenha como destino as nuvens", o destino eleito de Goethe...
Rui Chafes - "sim, devolver o lado mágico. sentir o milagre. como nos ritos e mitos arcaicos para que se abra um lugar para a possibilidade da própria recriação subjectiva e pessoal do objecto. Tal como os nossos filhos, a obra de arte, é mais do que matéria, células, pele, madeira ou ferro, por exemplo... - mais que uma justificação biológica - é o milagre da dádiva. Também os filhos que concebemos não são nossos, são uma seta. As minhas obras são qualquer coisa que concebi e partem para o infinito que desconheço, para o desconhecido, para algum sítio...".
a-de-braços-cruzados - é o sentido da vida. e para a vida. para dar sentido à vida. cria-se. cria. Segundo André Malraux, que concebeu a ideia enquanto conceito e método de aproximação às realidades outras, o "Deus" é o "incognoscível e, antes de mais, a luta contra a Morte". A toda a imagem, com efeito, preside o desejo de apropriar um lugar-outro, ou um não-lugar, e por essa via, de lhe proporcionar a eternidade, fixando nela uma realidade ontológica até aí não existente: porque desprovida de imagem. Ai que já me perdi... desculpe.
Rui Chafes - "sim, eu trabalho sobre o invisível. Parto do real matérico,à semelhança de Giacometti, e procuro a metáfora da transcendência. Superar-me. Prolongar-me na dúvida e para a dúvida. "
a-de-braços-cruzados- por isso trabalha arduamente em ferro e aço, como Giacometti e,...
Rui Chafes - "desmaterializo as peças, vou desmaterializando"...
a-de-braços-cruzados- são transparências. funde a arte com o espaço natural envolvente que a acolhe, permitindo-lhe assim que toque no céu. vemos a natureza e apercebemo-nos do tempo. espaço-tempo-e-matéria. o belo em comunhão... Giacometti dizia que os "seus homens" são "fios de aço delicados que unem o céu à terra"...
Rui Chafes - "respeitar a vida é ter a noção do tempo e envelhecer com ele. aceitando-o. Olhar para o céu e pensar no que está para além dele, e deixar-se ser emocionalmente arrebatado... tal como no sentimento estético provocado pela arte. é exactamente a mesma dúvida. a dúvida desse sentir. do lugar desse sentir."
a-de-braços-cruzados- o Belo. isso é o belo. é assim que o defino. o tal je ne sais quoi que está para além do objecto visível. uma justificação. Procurar acendalhas para o espírito, como dizia Ruskin, partindo da experiência sensível da matéria para a transcendência que está para além do objecto ou da imagem: como na música... através da qual acedemos a viagens imaginárias, ou como no cinema que tem a faculdade mais imediata de nos projectar para um lugar-outro. acontece-me sempre 'isso' , 'sempre' que assisto aos filmes de João César Monteiro- specular- projecta-me, lançando-me para um lugar estranho situado entre a sordidez e a epifania. Será isso? Essa liberdade onírica. Arrebatadora? E simultaneamente a eterna procura e justificação de nós próprios... um lugar de reencontro connosco próprios...
Rui Chafes- "uma viagem irracional, sim, é isso. Trabalho sobre a intuição, com a intuição. com uma grande carga indomável. não domesticada. Há sempre o impulso inicial mas nunca sei o que vai acontecer."
a-de-braços-cruzados- Artista é aquele nasce com a pulsão para a dúvida e para a inquietação... é assim que defino e identifico um artista. e a ARTE.
Rui Chafes- " O artista tem de se trair a si mesmo e cair no abismo para descobrir o seu próprio caminho. O artista tem de ser inconsequente. A obra tem de ser incompleta para ser eterna."
a-de-braços-cruzados- a arte enquanto eterno . a arte é a eternidade emprestada a curto- prazo pelo preço de um sopro de fé, um "sopro dolorosamente suave*".

[*] "A painfully soft blow", 2001 - uma das esculturas de Rui Chafes presentes no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

pátina.







































































Fernanda Fragateiro.


houve um sobressalto na memória


conjugado no pretérito perfeito de um tempo apolíneo,


porém, escrito a aguarelas dissolúveis.

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ela & ele.




Audrey Hepburn.





Morrissey.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

vanishing points.








































"Para quando quiseres fugir", 2008
E. Caeiro.




seventy three vanishing points woke the

room while a lazy & stupid long neck is still sleeping.


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ponto de fuga ou pontos de luz sob[r]e noite escura.

...

Há nisto um mistério que me desvirtua e me oprime.
E tudo se me confunde num labirinto onde, comigo, me extravio de mim.

















"Lost, Lost, Lost #17", 2005 .
Nuno Cera.



Devaneio com o pensamento, e estou certo que isto que escrevo já o escrevi. Recordo.
E pergunto ao que em mim presume de ser se não haverá no platonismo das sensações
outra anamnese mais inclinada, outra recordação de uma vida anterior que seja apenas desta vida (...).
Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?

in " O livro do Desassossego" de Pessoa (Bernardo Soares het.)
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terça-feira, 23 de junho de 2009

_____________________#.

























- são teus olhos azeitonas...


- são meus sonhos caroços cuspidos no chão.


-um dia colherás o fruto.


-... azeitonas verdes?!


- por que não?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

chiaroscuro.



















____________de muitas coisas se pode morrer


___________________em veneza


_______________de velhice de susto


___________________de peste


_________________ou de beleza.



___________Jorge de Sousa Braga disse e eu repito.

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domingo, 21 de junho de 2009

lara-chuva.





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Foi preciso ter visto um filme sobre o qual recaíam os preconceitos mais mesquinhos, a imbecilidade apeneirada da minha indiferença, e o meu desprezo quase-total para que no final, como que bofeteando todas as expectativas, tenha descoberto o meu [in]devido posto: "substituta".

Deus nosso senhor God-Art, Antonioni, Resnais, Bresson, Malle, Truffaut e demais merdins que me perdoem, mas é a [minha] verdade, de momento.
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clipes&agrafos: do mal o menos, antes sub que pro.
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....a soul in tension that's learning to fly, condition grounded but determined to try.
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vermelho-vivo:encarnado:em-letra-tímida.

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________encontro mais metafísica e bastante mais poesia no rasgar sôfrego, __________________
__________________mordente, de um pacote de malteasers,_____________________________
______________no arrancar dos pícaros das cerejas vermelhas, _________________________________
no colher de uma bucólica papoila vermelha do que nas tuas palavras - gastas e prostituídas.______________
__________________esforçaste-te para tingi-las de vermelho vivo,_______________________________
____________________________mas, ___________________________________________________
______sob as roupagens, a cor e o sabor do luto ainda se deixam entrever...___________
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quand je n’ai pas de bleu, je mets du rouge*.
















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alice partiu os espelhos.
ofereceu um gps ao gato.
do coelho branco fez guisado. sempre lhe invejara os óculos de uma luneta só super-trendy.
mandou a rainha de copas fazer dieta e ir-se f***er e queimou o respectivo séquito de naipes.
antes de morrer: alice decidiu passar pela sephora do chiado:
comprou o lancôme baton rouge juicy shine - brilho de longa duração.
alice morreu. alice morreu happy.
alice morreu com lábios brilhantes ultra-shinning.
alice morreu.
alice still shining. she's still a star.
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[*] Pablo Picasso dixit.
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my sweet 'cotton club' mood: "Alice" _Tom Waits_---_¨¨¨..¨¨--
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______________________________"Who killed Davey Moore? "_ Bob Dylan_¨¨..---
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______________________________"You're a Big Girl Now"_Bob Dylan_¨¨..----....
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______________________________"Radically Inept Candy Girl"_ Ganglians_--__-..
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______________________________"You Carry The Deed"_Angel Deradoorian_¨¨¨--..-.-.---
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______________________________"Do You Realize?"_The Flaming Lips..---...---
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

paisagens subterrâneas.



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"Urban Landscapes", 2003;
Daniel Blaufuks.

«-Como é que uma pessoa há-de passar bem de saúde...quando, moralmente,

não pode deixar de sofrer? Quem é que no nosso tempo há-de estar sereno,


desde que seja pessoa de coração? - redarguiu Ana Pavlovna.


-Vai ficar toda a noite, não é verdade?»

in"Guerra e Paz" de L. Tolstoi.




John Cage "In a Landscape" & "Lakme" de Maria Callas.
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«faz-me lembrar uma viagem de comboio para quelque part Granja-Aguda quando
cada porta das carruagens verdes escuras davam para dois bancos de madeira um
em frente do outro (coisas de velhos, claro)».
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palavras do meu querido amigo Carlos Pinto-Pereira a respeito do vídeo de Cage.

(...)



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"Self-portrait on the train, Boston - New Haven", 1997;
Nan Goldin.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

coisas que [nos] custam: matéria-prima.
















"Barcelona Pavilion", Mies Van der Rohe.

from Estremoz to the world.





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"Suitcase House Hotel" Gary Chang.

from China to non-chineses.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

ela, nu feminino...: baby dee.

















...como uma criatura fantástica de Tim Burton.

sexta-feira, 22h:00m, teatro miguel franco, leiria.






















Klimt_______________________________________________Schiele.


Trazia hálito etílico, cabelo em chamas, voz de arranhar os céus, cara cheia, cintinlante de tão pálida como a lua.
No morango dos lábios promessas de bloody marys foram sorvidas. noite flamejante de bafo quente à sombra
de um sol sustenido conjugada no feminino. de ontem p/ hoje Babdy Dee em dó maior. assim.


terça-feira, 2 de junho de 2009

«tudo bem, sim»...desde que não me troque por uma incineradora...



















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Tenho uma colega de trabalho, que também é amiga, a Suse, que representa o ideal feminino no sentido mais conservador do termo, cujo irrepreensível código de conduta é de fazer concorrência a qualquer benzina, lixívia, desinfectante de farmácia, ou a uma qualquer sala de um bloco operatório. absolutamente impoluto. imaculado. Não me refiro apenas aos valores morais que lhe são intrínsecos e que põe em prática, no plano religioso: menina dedicada, devota, canta no coro, toca piano, é catequista, tem um tio e dois primos que são padres e um cunhado que já foi acólito, mas também no que se refere à prática de costumes mais seculares, mais profanos. profanos, eu disse profanos?! perdão, suse... - palavra absolutamente interdita no seu vocabulário, não vá o diabo tecê-las e acordar o .. demo! Absolutamente zen, cândida e casta: não fuma, não bebe, não come junk-food, não curva a coluna, não se senta de pernas abertas, não arrota a altos berros, não se stressa, não toma banho em água a ferver, não diz palavrões, não odeia o próximo, não sente frio, não tem bolhas nos pés, não tosse alarvemente, não tem má circulação, não estala os dedos, não faz "xixi a correr"(imagem mental visualmente estranha, não?, enfim, esqueçam. retirem tal cena pornográfica do vosso imaginário. adiante), não critica, não cospe, não sabe o que é cholé, não deixa crescer as unhas, não limpa os ouvidos com o cotonette, não dorme de boca aberta, não se baba, não se saliva quando vê uma alheira de mirandela a sorrir e piscar os olhos, não sabe o que é uma quiche de cogumelos e queijo - quanta heresia, quanto pecado, deus nosso senhor te perdoe amiga!! - não grita, não se enerva, não não se irrita.... não se irrita?!?! esperem lá... irrita sim senhor: a única razão pela qual já se viu seriamente irritada, conta, deve-se ao vício mundano de que padecia o seu ex-namorado. então, suse, conta, conta! - fumava!!! - como?!?! o quê?!? hum...explica-te...? - era fraco. uma pessoa tem de vencer o vício. não pode ser assim tão fraco ao ponto de não conseguir vencer o vício. também, ele deixou logo de fumar no dia em que aceitei namorar com ele, era o que faltava.olha! - então, e ele deixou mesmo de fumar? -deixou, pois! - oh, deixou não porque lhe pediste, mas porque não gostava de fumar. eu gosto, e fumo porque gosto de fumar, não por ser viciada - contra-atacava, deste modo, assim, brilhantemente, como que uma entrada a pés juntos à zinedine zidane, a minha avant-guarda. então suse, coitado, mas isso é muito conservador, pouco tolerante, muito bota de elástico, tem de haver cedências sim, mas neste sentido... hum... não sei... quando te apaixonaste ele já fumava... não é assim...? oh então e tu, o que é que farias? eu,... (suspiro) desde que tenha três dedos, quatro dedos, cinco desdos, seis, sete, oito, nove, dez dedos, uma mão, duas mãos, enfim, e um par de lábios inteiramente disponíveis (só) para mim, tudo bem...


my sweet 'cotton club' mood: "I'm your [wo]man"_Leonard Cohen_---_¨¨¨..¨¨--

p.s.: a suse cumpre religiosamente as suas idas ao ginásio, faz lift, pilates, musculação, massagens, demora uma hora a comer, mastiga bem e vagarosamente os alimentos, bebe água entre as refeições, come alimentos macrobióticos, quando come esparguete à bolonhesa separa delicada e meticulosamente os grãozinhos de carninha moída dos novelos de "esparguete", abençoada paciência de job! só admite e concebe linhas rectas desenhadas com a firmeza regular à boa moda do classicismo vitruviano, cultiva o pensamento cartesiano, nutre de um mistério esfíngico, usa e abusa da sua pose firme e hirta como uma barra de ferro,... uma doçura saborosamente irritante, mas engraçada, apenas e tão somente, porque se trata da suse... absolutamente genuína e única. ah! é dadora de sangue e tem a paciência de passar óleo de amêndoas doces pelo corpo, todas as manhãs, sem excepção. e agora, penso comigo e para com deus - ai lara, lara, és mesmo broeira...


ai Suse, Suse... adoro-te, apesar dos pesares :)
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

primeiro estranha-se, depois entranha-se. depois de entranhado não há como tirá-lo. o quê?



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O "Cotonete", claro está - o algodãozinho branco do dito cujo não engana!

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Helder Gomes "diz-que-disse":

Uma viagem rápida pelas últimas linhas do blog De Factum... leva-nos a nomes como Fever Ray, Animal Collective, Grizzly Bear ou Au Revoir Simone. Mas muito mais do que um espaço apenas sobre música, o blog desta semana tem um carácter generalista. Lara Tenreiro afirma que o criou «pela urgência de anestesiar a "razão", dando corda à emoção: chegar a casa, descalçar o dia e adormecer o cansaço».A blogger ainda tenta explicar o objectivo do De Factum... citando autores como Michaux, Genet ou Nabokov, mas acaba por reconhecer que o blog existe «apenas por puro narcisismo e egotismo». Lara esclarece que o seu novo espaço «vem na sequência da marcha fúnebre de outros dois blogs, entretanto moribundos». E confessa algum «sentimento de culpa» quando percebe que já não lhe dedica tanto tempo: «tenho a sensação de andar a traí-lo com o Facebook».A trabalhar na Fundação Batalha de Aljubarrota, esta historiadora de arte escreve sobre música (e as outras manifestações artísticas) como quem escreve sobre outra coisa qualquer. Expliquemos, então: num post em que publica um vídeo de Fever Ray, ela aproxima o projecto a solo de Karin Dreijer Andersson (do duo sueco The Knife) à escrita de Mário de Sá-Carneiro. Diz que são «almas gémeas» porque lhes «falta sempre qualquer coisa» e porque «o sentimento de inércia, desalento e desencanto» parece acompanhá-los sempre.Lara Tenreiro não conhece o número exacto de visitantes do De Factum... mas sabe que é espreitada por «voyeurs de todo o mundo e arredores, muito embora sejam questões irrelevantes dado o carácter caseiro do blog». Não ficou, no entanto, indiferente quando um dia registou «138 olharapos numa só hora» nem naquele outro em que recebeu «256 comentários» a um post seu.À convidada desta semana agrada-lhe nos blogs «o despojamento sem artifícios, a permissão da falha, do errar, sem ter medo do ridículo». Ainda que não adivinhe para De Factum... qualquer margem de evolução, Lara assume que gosta de «cortejar a lucidez no roçar da insanidade» e deve continuar a fazê-lo no tom «confessional e genuíno» que a acompanha desde sempre. E remata, falando sobre o seu estilo: «quanto mais humano, melhor».

Helder Gomes.

sábado, 16 de maio de 2009

...impercepções à luz [de uma incerta contrariedade] fria e metalizante.


























Daniel Blaufuks.


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______paixão:



do Lat. passione, sofrimento



s. f.,



sentimento excessivo;



amor ardente;



afecto violento;



entusiasmo;



cólera;



grande mágoa;



vício dominador;



alucinação;



sofrimento intenso e prolongado;



parcialidade;



o martírio de Cristo ou dos Santos martirizados;



parte do Evangelho em que se narra a Paixão de Cristo;



colorido, expressão viva, em literatura.

Priberam esclarece.

terça-feira, 12 de maio de 2009

de factum.


























Afinal a simetria do coração existe: bordada a ponto cruz; três casas acima,
dois cêntimetros à esquerda, um pontinho ali,
a dois dedinhos de um outro mais acolá; a cor certa acoli et voilá.
Elementar minha cara, a Burda não falha!


my sweet 'cotton club' mood: "La symetrie du coeur"_Montag_---_¨¨¨..¨¨--
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da história social, política, cultural e das mentalidades:escandaloso!


A revolução sexual e o escândalo como grito de libertação:

Entre o final da década de 60 e o início de 70, diversos cineastas consagrados começaram a ver no erotismo uma das últimas fronteiras morais a explorar na Sétima Arte. Com a revolução sexual seguiram-se também as imagens de um mundo pronto para retratar a sexualidade no grande ecrã.
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Foram tempos de choque e de escândalo que serviram para acentuar ainda mais a investida libertária de certos realizadores que viam no sexo uma via para expor detalhadamente as relações humanas. Talvez nunca como nesta época o mundo tenha estado tão preparado para ver a crueza das relações sexuais numa sala de cinema.

E talvez nunca como até aí o escândalo tenha soado tanto a grito de libertação.Concretizou pelo menos uma das derradeiras conquistas da sociedade: o direito a olhar a sexualidade de frente. “Escandaloso” é um ciclo de cinema que procura reabilitar algumas das obras mais provocadoras e evocativas de uma era que retratou a sexualidade como derradeira fronteira ética e estética do cinema.




"Ultimo Tango a Parigi", 1973, Bernardo Bertolucci e "Belle de Jour", 1967, de Luis Buñuel;




"Bitter Moon", 1992, Roman Polanski e "Il Decameron", 1971, Pier Paolo Pasolini.

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onde: Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha [+info].

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"Frantic", 1988;

Roman Polanski .






"Professione: reporter", 1975;
Michelangelo Antonioni.





"Caro diario", 1993;
Nanni Moretti.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

apropriação & legenda.

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Hey little girl is your daddy home
Did he go away and leave you all alone
I got a bad desire
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I' m on fire


Tell me now baby is he good to you
Can he do to you the things that I do
I can take you higher
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I' m on fire


Sometimes its like someone took a knife baby
Edgy and dull and cut a six-inch valley
Through the middle of my soul
At night I wake up with the sheets soaking wet
And a freight train running through the
Middle of my head. Only you can cool my desire
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I' m on fire._-_---¨¨¨¨..._----¨¨¨¨¨----_---__--¨¨Chromatics.

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fabulosa versão do clássico de Bruce Springsteen. Mantendo aquele ambiente electro-dark cinematográfico característico da banda, I´m on Fire respira uma beleza sedutora e simultaneamente melancólica e mágica. Poderia ser muito bem um original dos Chromatics tal é perfeita a sua abordagem (principalmente se tivermos conscientes que o universo de Springsteen é tão diferente do aqui retratado).
Imperdoável, passar ao lado esta estrela-cadente assinada pelos Chromatics.

Nuno Afonso.

and so it is, the shorter story, no love no glory, no hero in her sky.














"Closer", 2004;
Mike Nichols.













"Man on Wire", 2008;
James Marsh.














"La Notte", 1961;
Michelangelo Antonioni.



segue-se um copy-paste daqui.

«Lara Tenreiro «jesus!»:)

Lara completed the quiz "What are you?" with the result You are Existentialism.
You are the explicit conceptual manifestation of an existential attitude. Your colors are teal and salmon. You like long walks on the beach. You emerged as a movement in twentieth-century literature and philosophy, foreshadowed most notably by nineteenth-century philosophers Søren Kierkegaard and Friedrich Nietzsche. Sometimes you sing in the bathtub when you don't think anyone is listening. You fear balloons..

0:26 · Comentar · · Take this quiz!».
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outro-me: não sei quantas almas tenho.cada momento mudei, continuamente me estranho.












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«Olhando o passado, contemplando-o daqui, como contemplaria uma larga tela colada à minha frente, vejo que José Buchmann não é José Buchmann, e sim um estrangeiro a imitar José Buchmann. Porém, se fechar os olhos para o passado, se o vir agora, como se nunca o tivesse visto antes, não há como não acreditar nele».

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in "O Vendedor de Passados", de José Eduardo Agualusa.

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[escondido, aqui, debaixo da língua, entre tantos outros que tais].

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p/ ver com olhos de escutar.

"Singularidades de uma rapariga loira", 2008;

Manoel de Oliveira.

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domingo, 26 de abril de 2009

suspiremos senhoras: goodnight ladies.


























Polina Seminova.

por Lou Reed.

Trata-se de um video-clip, adaptado, originalmente concebido para a

composição musical de Herbert Groenemeyer magistralmente coreografada e

dançada pela excelsa menina Polina Seminova.

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sábado, 25 de abril de 2009

se uma gaivota viesse trazer-me o céu de lisboa...











































cometeria as ondas do Oceano.


[O "Canto" de Camões trazido pela "Gaivota" de O'neill - a gravura da voz, essa, pertence a Amália].
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a defesa do meu primeiro-amor#1: a singularidade da Central Termoeléctrica.

No seguimento do convite expresso pela minha caríssima colega e Amiga-bonita Dália Lourenço, venho desta forma apresentar publicamente o meu primeiro objecto de estudo, para o caso de alguém que, num futuro não muito distante, se atreva a usurpar, ipsis verbis, as presentes considerações, uma vez que as autárquicas estão à porta e... porque, como diz o ditado popular, gato escaldado de água fria tem medo...

Contextualiazação espacio-temporal:

A Central Termoeléctrica de Porto de Mós, encontra-se situada à entrada da Vila, junto das Piscinas Municipais, relativamente distante do centro urbano mais antigo, e a sua arquitectura apresenta-se distinta no panorama regional.


A história de Porto de Mós é secular. Situada na encosta ocidental da serra de Minde, é uma das mais antigas do distrito de Leiria, e encontra-se localizada nas abas da serra, incrustada no morro do Castelo. É constituída por uma parte alta mais antiga, cuja malha urbana e configuração do povoado denunciam os vínculos à época medieva, e uma parte baixa relativamente moderna.

O actual topónimo "Porto de Mós", foi derivando ao longo dos tempos de outras designações, Porto de Molis, Porto Molarum, Porto Moos e Vila de Moos, o que significa que a esta evolução pode estar relacionado o facto de nas margens do rio Lena, que banha a vila, se ter desenvolvido a produção de mós. Efectivamente, a excelência dos arredores para as exportações moegeiras, quer eólica, quer hidráulica, determinou, entre outros, o crescimento da povoação.


A sua história está inevitavelmente associada ao Castelo que após a tomada aos Mouros por D. Afonso Henriques, no ano de 1148, teve como alcaide-mor D. Fuas Roupinho. D. Dinis restaura-o, cercando a vila de muralhas, concedendo-lhe o foral em 24 de Julho de 1305, depois de, por carta datada de 23 de Julho de 1287, haver doado a Dona Isabel a povoações e outros bens que tinha no seu termo. D. João I, por carta régia de 20 de Agosto de 1385, doa a vila e seu termo à Casa de Bragança, pelo que o senhorio passou para D. Nuno Álvares Pereira, o qual, após a tomada do hábito, a doou a seu neto Afonso, filho de Beatriz Pereira.


O fulgor que a vila outrora detinha, ia decaindo desde o século XVI, quando muito dos seus habitantes, imbuídos pela epopeia dos descobrimentos, preferiam "dedicar-se às armas e ao comércio a cultivarem terras sobrecarregadas de pesadas rendas, para diferentes comendas e fidalgos (...) e eram mais as casas em ruína e desertas, do que as habitadas". Não obstante, D. Manuel, por carta datada de 18 de Fevereiro de 1515, concede-lhe novo foral e doa novamente o castelo aos Condes de Ourém.

Conforme se regista nos censos de Pina Minaque, em 1798, a população da vila parece ter aumentado. Este documento dá a conhecer que Porto de Mós continuava a pertencer à Casa de Bragança e integrava a Comarca de Ourém, revelando ainda, que crescera na actividade comercial, devido à exploração do mármore preto, da extracção do ferro e calcário, bem como da indústria da olaria, a que se acresce o facto da instrução dos jovens ter aumentado, "numa terra que contava escolas públicas de ler e de escrever, assim como de gramática de latim", estendendo-se o progresso urbano do termo da vila.

É difícil apurar acerca da vila local nos anos que precederam à Revolução de 1820, bem como restituir a história porto-mosense no período do Liberalismo oitocentista. Todavia, a vila estava em franco progresso, como testemunha a obra de Pinho Leal, lavrada em 1876. O risonho provir que se "effectuará desde que se abriu um ramal de caminho de ferro, d' aqui até à estação de Torres - Novas (...), também fica a 5 kilómetros a E. da estrada real, (...) de Lisboa ao Porto, duas artérias por onde exportar, não só géneros agrícolas excedentes (...), mas, e sobretudo, o producto das suas numerosas e abundantes minas de ferro e de anthracite".

Nos finais da centúria oitocentista, em virtude da reestruturação administrativa de 30 de Dezembro de 1892, o concelho de Porto de Mós foi extinto, passando o edifício dos Paços de Concelho e a jurisdição administrativa para a Câmara Municipal de Alcobaça. Este episódio foi um rude golpe para a vida de uma localidade que se encontrava em inequívoco progresso agrícola e industrial e que pretendia valorizar-se no quadro regional do distrito de Leiria.
Em 1937 foi novamente submetida a uma outra reforma administrativa, que transferiu a vila da zona da Alta Estremadura para a nova Província da Beira Litoral, com sede em Leiria. Dir-se-ia que Porto de Mós, no que respeita à sua vivência económica, se afastou de Santarém e do Vale do Tejo, para se integrara no impulso regional que lhe advinha da cidade do Lis e da franja costeira, visto que o surto da indústria da pedra e dos cortumes e da faiança abriram a Porto de Mós um novo progresso que se estendeu à sua região envolvente mantendo-se a vila fiel às suas raízes culturais e populares.

A Central Termoeléctrica:


Relativamente ao imóvel em causa, foi mandado construir pela Empresa Mineira do Lena, entre 1930-33, quando D. José de Saldanha da Gama, o seu principal empresário na altura, pretendia contribuir, desta maneira, para a electrificação e para o progresso em geral do distrito de Leiria.


De facto, os intentos do empresário surtiram o efeito desejado, visto que foi graças a esta Central que as populações do concelho de Porto de Mós, bem como as dos outros concelhos vizinhos, viram pela primeira vez as suas casa iluminadas sem ser com as primitivas candeias de azeite ou candeeiros de petróleo. Por conseguinte, os hábitos de vida das povoações que eram abastecidas pela electrificação foram significativamente alterados: "electrodomésticos e alguns sectores de pequenas indústrias puderam adaptar-se ao quotidiano das pessoas e desenvolver-se graças à energia eléctrica, até então difícil de conseguir".

Refira-se ainda, que durante algumas décadas as sonantes sirenes da Central serviram de relógio a muitos habitantes locais, pautando assim os ritmos da labuta e de pausa dos numerosos trabalhadores, - que naquele tempo se dedicavam às intensas actividades mineiras e agrícolas - , no sentido de determinar o início do seu trabalho e das suas refeições, em substituição dos antigos-regulares sinos da igreja. A importância deste edifício acresce se atendermos ao facto de se tratar de um equipamento que empregara inúmeras famílias, e servira, também, de espaço de entretenimento e evasão, visto que do conjunto da Central Termoléctrica constava, entre outros, uma sala de cinema, com casa de máquinas de projecção de filmes anexa, onde o electricista chefe projectava filmes da época.

Aquando da deslocação ao local, verificou-se que já não há quaisquer vestígios da casa das máquinas, nem da antiga sala de cinema, que se situavam junto da Central. Atendendo à documentação fotográfica apresentada na obra de Francisco Furriel, cremos que pela localização das referidas instalações, situadas nas traseiras do edifício, estas devem ter sido, certamente, demolidas por ocasião da recente construção das Piscinas Municipais, que passaram a ocupar esse lugar.

No que concerne à Central, propriamente dita, convém referir que se encontra em acelerado estado de ruína, pelo que apenas nos foi possível visitar as áreas do interior que não estavam ocultas pela vegetação, ou submersas pelas águas pluviais. Presumimos que as instalações sirvam, actualmente, de armazém camarário, tendo em consideração os materiais logísticos municipais que se encontram depositados no seu interior, nomeadamente, placas de sinalização e topográficas. No entanto, apesar do avança do estado de degradação e sequente descaracterização, subsistem ainda alguns elementos estruturantes originais que nos permitem fazer uma leitura descritiva da Central, visto que as empenas das fachadas ainda se conservam de pé e ostentam alguns elementos estruturantes e decorativos do edificado remanescente.

De acordo com algumas notícias que vão surgindo na imprensa local e regional, fica-se a saber que a Autarquia considera que o edificado que actualmente, acolhe o Museu Municipal de Porto de Mós é provisório, dada a insuficiência do respectivo espaço para a apresentação condigna de todo o espólio museológico. Pelo que se pode apurar, a Câmara está a envidar esforços para a recuperação da antiga Central Termoelectrica, no sentido de aí instalar, definitivamente, o Museu Municipal, e nele criar , também, um outro espaço onde seja possível desencadear outras actividades como complemento das existentes na zona serrana. Numa entrevista efectuada ao vereador da cultura de então, a propósito da eventual reabilitação e recuperação do imóvel em causa, este referia que "com esta estrutura nós pudemos dar um passo em frente, tentando até, de certa forma, uma simbiose entre a Serra e o Vale, porque, no fundo, há um elemento comum na riqueza deste concelho. É que, efectivamente neste momento é a extracção da pedra e a exploração do barro que têm sido os grandes tónicos para o crescimento..."

A razão da escolha para albergar o futuro Museu Municipal é óbvia, não só pelo que dele emerge em termos simbólicos - pois, para além de ter sido importante na electrificação de todos os concelhos vizinhos e no respectivo desenvolvimento industrial, abrangendo a zona de Leira, como já foi referido, aqui, era também recolhido o carvão, extraído das minas da Bezerra e Alcanadas, que era transportado por uma via férrea criada para o efeito, da qual já não há qualquer vestígio - face ao carácter sócio-cultural que lhe era simultaneamente inerente e também por se tratar de um edifício de amplas dimensões e pouco vulgar em termos de arquitectura industrial do século XX.
A razão pela qual o aspecto do bem em causa parece não corresponder à arquitectura industrial corrente da altura, dever-se-á, eventualmente, ao facto de terem sido utilizados diversos tipos de materiais para a construção, muito embora haja autores que defendam que os edifícios industriais não obedeciam a um padrão morfológico especificamente estanderdizado, pelo que as suas arquitecturas poderiam surgir de "várias formas" [Associação Portuguesa de Arqueologia Insdustrial; I Encontro Nacional sobre Património Industrial- Coimbra, Guimarães e Lisboa 1986. Actas e Comunicações, I vol. Coimbra: Coimbra Editora, 1989]. A exploração das potencialidades dos novos materiais construtivos, como o betão armado e o aço foi habilmente conjugada com outros elementos estruturantes oriundos de matérias-primas abundantes nesta região, nomeadamente os tijolos maciços, alguns refractários, de argila.

No entanto, muito embora a sua aparência seja dissonante, se comprarmos com outras instalações fabris, no que toca às exigências emergentes que passaram a estar a associadas ao advento da arquitectura industrial, designadamente a funcionalidade arquitectónica, economia dos meios, rentabilização do tempo e do espaço, arejamento, salubridade e iluminação, julgamos que a Central responde em absoluto a esses novos critérios modernos.

Com efeito, verifica-se que a planta do imóvel em causa, estava em conformidade com o trabalho em questão, pelo que a mesma obedecia a uma organização racional do espaço interno. As amplas dimensões dependeram não apenas do número do pessoal ao serviço, mas também da aplicação e disposição dos materiais e equipamento tecnológico necessários para o funcionamento da Central, pelo que o seu interior, estaria, certamente, repleto de emaranhados de cabos, motores e fios electectricos, bem como de geradores e turbinas distribuidores de energia.

Apesar do edifício se encontrar em penoso estado de ruína, sendo já impossível decifrar alguns dos seus elementos constituintes, na visita ao local, pudemos verificar ainda, que a Central estaria composta por diversas secções, de acordo com as especificidades de cada tarefa que aí se executava. Deste modo, o imóvel seria constituído por suas zonas distintas: uma, que correspondia à ampla área "de calor das fornalhas", cujas paredes apresentam-se, ainda hoje, totalmente construídas com estruturas em ferro e tijolos maciços refractários, para suportarem as elevadas temperaturas das fornalhas e grelhas rotativas. A outra secção, ocupava-se da distribuição da energia eléctrica para a rede pública e privada, diferindo da outra, quer na funcionalidade que lhe estava acometida, quer em termos da sua arquitectura. Era construída em cimento, com reboco branco e ocre, sendo o espaço interior, correspondente à casa dos geradores, bastante compartimentado, nos quais se registam a existência de transmissores de energia, motores eléctricos e geradores, pelo que constituem testemunhos que merecem ser devidamente preservados.

A fachada principal apresenta-se rasgadas por inúmeros vãos rectangulares envolvidos por molduras de cantaria de talhe muito simples, estando, no entanto, alguns deles entaipados. Esta fachada é delimitada, no lado esquerdo, por cunhais de tijoleira, e, no direito, encerrada lateralemente por uma espécie de torreão rectangular, aberto no topo por um óculo circular. É rematada por três frontões triangulares, de diferentes dimensões, sendo que os dois mais largos da extremidade, pertencem às coberturas de águas, que correspondem a cada uma das secções da Central, enquanto que o outro pequeno frontão, funciona apenas como um apontamento decorativo que asssinalava o eixo central da composição. No entanto, todos estes frontões são debruados a tijoleira e assentam sobre um friso do mesmo material, cuja disposição formal sugere uma platibanda, prolongando-se até à fachadas laterais do imóvel. Refira-se, aliás, que a aplicação deste material no edifício, aliada ao ténue relevo vertical das empenas, produz um belíssimo efeito plástico, e acentua as linhas geometrizantes, modernas, do imóvel.

Na fachada lateral direita ainda é visível o caiado branco e ocre de que se reveste a respectiva superfície parietal. Esta apresenta-se aberta por quatro vãos no rés-do-chão, que correspondem às portas de acesso às cabines dos geradores, sitas na secção de distribuição de energia, e por outros quatro vãos no topo, dispostos simetricamente em relação às aberturas inferiores. Cada porta do rés-o-chão e cada janela de ilmuniação no topo é intercalada por um painel cego decorativo, pintado de ocre, sugerindo um anepígrafo. As cabines constituíam esta secção, são muito compartimentadas e exíguas. Apesar do seu interior se apresentar, presentemente, bastante descaracterizado, ainda subsistem alguns elementos deveras representativos dos primórdios da electrificação termoelectrica nacional, pelo que, tanto o imóvel em causa, bem como os instrumentos de electrificação, nomedamente o motor eléctrico, os geradores e transmissores de energia mereciam ser devidamente recuperados e salvaguardados.

Pelo que pudémos constatar, a fachada lateral esquerda, pertence à secção das fornalhas, encontra-se na iminência de ruir, pelo que a sua reabilitação requer o máximo de urgência, no sentido de se manter a sua integridade estrutural; já que, através da pesquisa bibliográfica feita sobre este bem patrimonial, e ao comparar a documentação visual que a acompanhava, nos apercebemos de que esta fachada perdera recentemente algumas infra-estruturas que constituíam significantes imprescindíveis para a compreensão do procedimento das várias tarefas de trabalho que aqui eram realizadas. Confrontado os registos fotográficos, constata-se que a ponte suspensa em pilares de cimento e ferro, erguida para entrada do carvão em vagonas, já não existe. O carvão era despejado numa "enorme rampa afunilada para dentro das fornalhas" que estariam nesta secção. O autor citado, dava também conta do facto de ainda existir "um terreno anexo à central com cerca de mil metros quadrados que serviu para depósito ou acumulação das escórias do carvão provenientes das fornalhas das caldeiras" que mais tarde foram aproveitadas para a consolidação dos caminhos rurais. Considerando tal descrição, julgamos que se trata do terreno contíguo a esta fachada.

No que concerne à fachada posterior, aqui, torna-se evidente a diversidade de materiais e de métodos de construção que foram utilizados na edificação do presente bem. Apesar de apresentar duas zonas distintas, como já foi anteriormente referido, o aspecto geral deste conjunto é também muito mais compacto do que nas restantes fachadas. A secção das fornalhas, que se apresenta no flanco direito, é constituída por dois pavilhões, e difere da restante fachada, apesenta-se agrupada por módulos regulares unidos por ligantes de ferro. Nesta amplo pano de parede, a materialididade dos materiais foi assumida, ao contrário das demais secções, cujo reboco escamoteia a sua materialidade. A área das fornalhas desenvolvia-se por dois pisos, sendo o inferior, onde ainda são visíveis os pilotis - apesar de se encontrar coberto pela densa vegetação, alagado, e em sofrível estado de degradação -, seria para onde "caíam as escórias e as cinzas ainda incandescentes das fornalhas da Central". Numa das estruturas, nota-se ainda uma grossa barra de ferro carcomida pelo intenso calor que suportou, "tanto as escórias como as cinzas caíam directamente por um enorme funil de ferro dentro das vagonas que, uma vez cheias, eram levadas para a escombreira".

Relativamente à secção de distribuição de energia, de menor dimensão em relação aos outros dois pavilhões da outra secção, é também constituída por dois pisos, sendo o inferior aberto por uma larga porta de acesso ao interior, enquanto que o topo se apresenta fendido por três lumes rectangulares. Aqui, destaca-se ainda a platibanda recta elevada que remata uma parte desta secção. Certamente que esse era o dispositivo onde se aplicavam os transmissores eléctricos, visto que a sua altura permitia facilitar a distribuição da energia eléctrica.

Todo este conjunto que constituía a Central era coberto por quatro telhados de duas águas, que se perfilavam uns ao lado dos outros. Actualmente, resta muito pouco das chapas de zinco originais que os cobriam, sendo apenas visíveis as primitivas estruturas de ferro que as suportavam.

Finalmente, sobrevive ainda uma estrutura independente, situada no lado direito do imóvel, que integrava o conjunto da Central Termoeléctrica. Trata-se de uma estrutura circular, constituída por noves pilares de secção quadrada em betão armado, sobre os quais assenta um largo "cinturão" de tijolo, rasgado por um janelo rectangular. Todo este dispositivo, feito para a refrigeração das turbinas da Central, encimava uma complicada estrutura cuja morfologia, beneficiada pela ductilidade do betão armado, se assemelha a um crivo em forma de teia. Presumimos que este elemento visava resguardar o dispositivo da água das turbianas, aliado à necessidade de sistema de distribuição e descompressão de forças.

A envolvente apresenta-se bem desafogada e bem preservada, em virtude do imóvel se encontrar localizado num amplo recinto, isolado do povoado da Vila. Nesta área, destacam-se as Piscinas Municipais, que lhe ficam muito próximas e que ocuparam então o lugar onde outrora estaria situada a sala de cinema e a casa das máquinas de projecção de filmes que integravam o conjunto da Central.

Apreciação final - considerações:

Atendendo a todos os factos expostos, cremos que o presente bem imóvel, é sem dúvida, extremamente representativo não apenas para as inúmeras famílias que daqui tiraram partido do seu sustento, mas no panorama insdustrial do concelho, pelo que seria merecedora de urgente recuperação, conforme o interesse demonstrado pela autarquia, de modo a salvaguardar e revivificar o que dele ainda resta. Assim, seria de toda a importância que se procedesse à reabilitação e posterior reutilização deste exemplar único do património industrial de Porto de Mós, preferencialmente para fins sócio-culturais, científicos ou/e museológicos. Pois, só deste modo, seria então possível recuperar simlutaneamente a sua arquitectura, com o respectivo recheio original, as técnicas e as formas de trabalho a ele associados, e recuperar ainda a consciência individual e colectiva, visando o melhor conhecimento da insdustrialização da região.

Sobre a importância do Património Industrial, J. Amado Mendes, indagava que "nos centros urbanos, como e a partir de quando foram a água e a electricidade distribuídas ao domícilo?", respondendo de seguida, que "no caso da energia eléctrica, revestir-se-á de interesse prestar atenção às primitivas pequenas centrais, hidroéctricas e termoeléctricas", visto que numa parte significativa do patrimonial cultural é constituída pelo chamado património insdustrial, e a civilização contemporânea "muito deve à industrialização que tem afectado directa ou indirectamente, quase todos os aspectos da vida humana, (...) pelo que torna imperiosa a sua preservação", sempre que possível em actividade e in situ, visto que só assim se pode adquirir uma percepção satisfatória de máquinas, motores, utensílios ou outros elementos para museus, caso contrário faz perder a historicidade do aobjecto em análise. O autor conclui, defendendo que, "com a destruição pura e simples desses monumentos industriais, o património cultural de que fazem parte integrante, vai-se delapidando e a história, por seu turno, vai ficando mais pobre".

Atendendo aos factos expostos e tendo em consideração a nossa missão, julgamos, sem dúvida, que o edifício é representativo, como referência de determinada vivência sócio-cultural, a nível local ou concelhio, mas também como exemplo de uma época muito específica em termos artísticos, a nível nacional. Responde aos critérios gerais dos parâmetros histórico-cultural, estético-social e de autenticidade, não obedecendo já, todavia, aos de integridade e técnico-científico, uma vez que se encontra, na realidade, em aceleradao estado de ruína, o que contribuiu, a par com a demolição de alguns elemntos, para a irreparável perda da arquitectura original.

Acreditamos que o presente edifício, - testemunho do património industrial -, após uma intervenção, recuperação e reabilitação cuidada e especializada, (que não fira ou desvirtue a sua identidade e saiba tirar partido da arquitectura do próprio edifício, maximimizando as suas potêncialidades: conceptuais, plásticas, disposições formais, dimensões, amplas proporções ) possa vir a ser mais um importante marco cultural exemplar no contexto regional, a juntar a outros equipamentos e espaços culturais de excelência que muito recentemente têm vindo a incrementar a oferta cultural do Concelho, contribuindo, assim, para a dignificação da vestuta Vila e para a aproximação do legado histórico às suas gentes.

Com inestimável apreço e admiração pessoal Dália Diva-de-Saint-Laurent.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

acrescento ainda: o amor é laranja...
















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e faz cócegas.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

respondo-te.


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#1.
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#2.



Pergunto-me quanta gente nesta cidade.


Pergunto-me quanta gente nesta cidade vive em apartamentos mobilados.
Altas horas da noite quando olho os outros prédios juro que vejo um rosto
em cada janela que me olha também e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas a escreverem isto mesmo.
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Leonard Cohen in "Filhos da Neve - Antologia Poética", versões de Jorge Sousa Braga e Carlos Tê, Assírio e Alvim, 2ª ed: 1997 - colecção Rei Lagarto.
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voyeurismo noctívago ou à procura da revelação da fenomenologia da natureza humana...







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"May Day V", 2006;

Andreas Gursky.

...à escala monumental, absolutamente esmagadora.


"Na verdade, a minha compreensão do mundo reveste-se de uma natureza fenomenológica.
Estou interessado no aspecto exterior do mundo, na sua superfície táctil, e guardo
dele uma imagem muito precisa," Andreas Gursky dixit.



+info aqui.
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etiquetas de marca: metronomy by karl lagerfeld.




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«L'aventure entre Karl Lagerfeld et Metronomy, commencée en 2008, continue en 2009
et aboutit à la réédition du dernier album du groupe anglais, en édition deluxe signée par le
maître de la mode s'il vous plaît!

[...]

Après le premier shooting organisé par le magazine Mixte autour de la marque
K Karl Lagerfeld en Juillet 2008 et le clip "A Thing For Me" dans lequel les musiciens
ont choisi de porter la marque K Karl Lagerfeld, l'aventure entre le groupe Metronomy et
Karl Lagerfeld continue en 2009. C'est Metronomy qui a ouvert le défilé K Karl Lagerfeld
Prêt à Porter le 08 mars dernier sur un morceau inédit présenté en exclusivité : "What Do I Now".
La belle complicité entre le créateur et le groupe sera marquée par la sortie le 30 mars prochain
d'une édition limitée de leur premier album "Nights Out", présentée dans un packaging Deluxe illustré
d'une photo signée Karl Lagerfeld (inclus : le CD bonus "A Thing For Me" Breakbot Remix et le clip). »

+info aqui.

sábado, 11 de abril de 2009

eles & elas.

























"Veckatimest";
Grizzly Bear.



























"Still Light, Still Night";
Au Revoir Simone.
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podemos encontrá-los no sítios de sempre; pois então, maravilhem-se nestes aquis: aqui e aqui.
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domingo, 5 de abril de 2009

«sweet heart...?!»



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«Actress Keira Knightley is seen suffering a brutal assault in a new advertisement highlighting the issue of domestic violence.
The two minute TV and cinema ad, for the charity Women's Aid, shows the star being beaten by her partner after she returns home from a film set.
It is directed by Joe Wright, who worked with Knightley on Atonement.
You can find further information on domestic abuse at
http://www.womensaid.org.uk/ ».


A.P.A.V. - Associação de Apoio à Vítima, Portugal - http://www.apav.pt/portal/ .


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shhhhh...




















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"I need you close";

Dwilt Sharpp feat. Lorett Fleur.

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Tu-que-não-és, fecha agora os olhos e imagina uma moneda de 5 cêntimos a serpentear no mármore lívido do teu braço Berniniano, formando lastros de cornucópias flamejantes de desejo, enquanto uma bolacha Belgatafonomizada pelo mordente batôn ultra-shining juicy-rouge dos teus lábios sussurra promessas de noites longas sob o céu estrelado xlm1, no folhear de uma crónica aberta, à beira de uma abatiz... envolto numa atmosfera densa, inebriante, perfumada de odores d' urzes rasteiras, como nas iluminuras de Froissart... ... se isto não é erotismo trash poético pró-cibático, o que será...


sexta-feira, 3 de abril de 2009

marcador.







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«Um vidro embaciado separa-nos do que está lá fora. Impede-nos de saber ao certo de quem é aquela silhueta, que mulher é aquela, onde estamos afinal, em que paisagem difusa onde apenas se vislumbram as ondas. A impossibilidade de concretização da imagem leva-nos a desejar essa mesma imagem catalisadora da experiência passada, presente e futura. A nossa, não a do artista».
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Eis as primeiras cinco linhas que encetam um dos mais belos e lumínicos artigos que ultimamente me passaram pelos olhos..."Noronha da Costa: o fluxo luminoso da memória" por Miguel Matos, na Umbigo.


[rigor científico + sensibilidade= singularidade].

p/ o fim-de-semana.




"Lay Down": Sharyah Mazgani______________________"Thinking of You": Marissa Nadler.






"Old Love Haunts Me in the Morning";
Marissa Nadler.

coisas que me [re]surgem.



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O amor chegou com as chuvas
e o fogo do desejo foi-se
aplacando

Agora é tempo
de cantar

Ao primeiro
ruído seco do trovão
os pavões abrem a cauda
em leque e começa a dança


Giridhara está no meu pátio
como um lírio que floresce
ao luar assim me abro
para Ele nesta chuva


Todos os poros do meu
corpo estão gelados


A tortura de Mira acabou
Hari cumpriu a sua promessa.


in Mirabai, O amor chegou com as chuvas.

Versão de Jorge Sousa Braga . Assírio e Alvim, 2009

...

carinhosamente oferecido por Amélia Pinto Pais, a Professora de sempre e para sempre.


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[*] Giridhara - epíteto de Krishna - «aquele que levanta ou sustém a montanha»;
[**] Hari – Krishna, como incarnação de Visnu «aquele que lava os pecados»;

[***]Mirabai,Índia.n.c.1498.

reciclagem de memórias: art&crafts primaveris.





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Bilhetinho a/c:

Porque já não te amo muito pouco, quero-te muito-muito!! longe e de costas voltadas para as outras mafarricas delambidas e com os olhos doces e veermeanos viradinhos só para mim. para mim! para a rua!

Não vejo a hora de vires cá a casa e de te enfiar debaixo dos nosso lençóis para buscares o resto dos teus pertences cheirosinhos. Agradecia que não te demorasses muito – fica! fica!- porque não tenho mais nada que fazer só penso em ti. Ah! Peço-te também que me envies uma sms – liga-me ! liga-me! com alguma antecedência pois já não consigo passar mais um dia sem ouvir a tua voz para não estar presente e dizer que te amo parvo, muito! e assim aproveito e vou logo de manhã cedo à tabacaria da Avenida para não perder a edição de merda do JN de segunda-feira.

P.S. O Spínola não come desde terça-feira, anda com o olhar tristonho, arrastado, e deixa-se ficar prostrado dias a fio na alcofinha que a tua mãe lhe deu, ... já nem brinca com a bola azul do Ronaldinho gaúcho que comprámos na última viagem que fizemos a Milão, lembras-te amor?, deve sentir saudades tuas, se quiseres podes levá-lo, fica, também. Está bem?

segunda-feira, 30 de março de 2009

meteorologia sonora.



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Fennesz/Sakamoto: Cendre; Peter Broderick: Float; Pan-America: White Bird Realese; Dakota Suite/ Peter Broderick/ Deaf Center/ vários: - The Night Just Keeps Coming In; Nana April Jun: The Ontology Of Noise; Sylvain Chauveau: The Black Book of Capitalism; Helios: Caesura + Eingya; Âme : Fiori (Club Edition); AGF/Delay: Symptoms (Get Lost !); Jazzsteppa : Taylor Rain; Modeselektor feat. Thom Yorke: The White Flash; Cymande: For Baby Oh; Conrad Schnitzler: Electrocon; To Roccoco Rot: Testfeld; Patrick Moraz: Metamorphoses 1st Movement (Live); Young Marble Giants : N.I.T.A.; Kenneth Bager: Fragment Eleven; John Carperter : The President Is Gone; Robert Hood: Minus; Raymond Scott: Bass-Line Generator; Pyrolator: November Mühlheim; Matematics : Blue Water; Hildur Gudnadattir: Into Warmer Air; Geiom: Unnecessary Stress;Headhunter: Entity; Ozomatli: Cumbia De Los Muertos; Dave Matthews: Some Devil; War: Low Rider; Scott Eversoll: Back There In My Mind Back ; Anson Funderburgh & The Rockets: Can We Get Together; Ann Sexton: You're Losing Me; Tom Waits: Cold Cold Ground; Tom Waits: Temptation; Maria Callas: Lakme; John Coltrane: A Love Supreme; Gustavo Santaolalla: Iguazu;



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"The Grandfather Paradox": Henrik Schwarz, Âme & Dixon, entre outros...
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domingo, 29 de março de 2009

um poema para o'neill.




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______não acredito no surrealismo.

____________não há _________

_______nada mais surrealista

__________que a realidade________________________

____________do meu
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__________aqui & agora._________________________

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[em memória da unidade de cuidados paliativos: http://dyingroom.blogspot.com/]
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não, meu amor. - esta noite. - estou só. - para mim...
























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Pormenor ft. Helmut Newton.



- You know, I take pictures, photographs, but I never really
thought in black and white before I saw our rushes.
Do you know what I mean? You can see the shape of things.
- Life is in colour, but black and white is more realistic.
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Mark & Joel n' O estados das coisas de Wim Wenders, 1982.
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sábado, 28 de março de 2009

os fios dos meus cabelos#1.

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"LLuvia" ,
Chema Madoz.


cansei-me dos meus cabelos. cansei-me das ondas que me enleiam a cabeça.
das ondas onduladas. sinuosas. impiedosas. quando me impelem à deriva.
cansei-me do escadeado rebelde. dissonante. das infindáveis escadas. desgastadas.
de tanto serem calcorreadas.cansei-me de procurar a raíz dos meus cabelos.
dos meus cabelos rebeldes. ondulados. emaranhados. que se encaracolam. condoídos.
contraídos. nos dias de chuva. cansei-me. seguro a escova redonda.
a dos dentes grandes afiados. pontiagudos e acutilantes.
vociferantes. e aliso as ideias. desenriço os nós dos pensamentos.
finto-me ao espelho. sorriu-me. gosto do que vejo:
- o cabelo esticado e as pontas acertadas até que não me ficam mal...

os fios dos meus cabelos#2.













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?, s/d.
Edvard Munch;



















"Woman doing her hair", 1956,
Hugo Robus;


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"Woman brushing her hair", 1965;
George Segal.
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foi: noite mágica de felizes reencontros.


























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The Ruby Suns @ "Salão Brazil": Coimbra, 26/03.



boa gente + boa companhia + bom luar + boa dança :) + bom ambiente + bom licor = boa noite, «divinalmente memorável» como alguém* me disse, de forma divinal.

[*] um bombom.

nota de rodapé: poderia ter sido uma noite plena se a actuação não tivesse sido tão curta. soube-me a pouco. não esperava. No entanto, saí satisfeita do velhinho Salão - a noite prometia, sabia-me a muito. fiz a pazes com Coimbra. não esperava.

sexta-feira, 27 de março de 2009

topografias.





















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topografia:

do Lat. topographia > Gr. topographía > tópos, lugar + gráphein, descrever.


s.f.,

arte de representar no papel a configuração de um terreno, de uma localidade, com todos os seus acidentes geográficos;

descrição exacta e minuciosa de um lugar;


Anat.,

descrição circunstanciada de qualquer parte do organismo.
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sinestesia da memória.

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@estado emocional.

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os olhos da memória opaca, como cartolina branca.


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Sentada na claridade diuturna dos meus sonhos
redesenho-te
a carvão negro da noite.
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com o carvão cinzento-negro, da cor da cinza, traço em gestos incisos silhuetas que ferem
e golpeiam: antes contemplasse os traços ora estilizados, ora bruscos, ora cortantes de Goya, Fontana, ou Basquiat...
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aguarrás.

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"Search and Destroy", Iggy Pop and The Stooges .
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geometria descritiva.


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terça-feira, 24 de março de 2009

eterno.




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Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,
queiras mais queiras diferente;
que gostes da cor e do risco forte de Miró
e do canto desiludido e fundo de Ferré;
quero que aprecies os cheiros sensíveis da eternidade
do grande bruto grande e do pequeno sensível e pequeno;
quero que mores nas páginas da Photo e que, sendo um modelo de virtudes
representes a cortesã mais lassa para mim;
quero-te com mãos de pedra e de veludo;
quero que ames o chique e a Serra d´Aire
- mais o safari que a recepção,
quero que mores e sofras nas páginas de Guido Crepax
e que te irrites com a perfeição absoluta de um retrato de Medina
quero que, se possível vivas dentro do anúncio do Martini
felina e ondulante numa ilha tropical
quero que sejas capaz de divertir-te, de soltar uma ampla gargalhada,
ante o espectáculo ridículo e obsceno de um homem de Quinhentos
a quem atribuíssem um número de contribuinte
quero que ames o longe e a miragem, como o Régio
e que sejas louca e sábia
que tenhas lábios e mordas,
língua e sorvas, sexo e sexes, salto e salto, riso e rias,
sorvedouro inteiro de vida, arrepio de garça, sacudir de cisne,
passos de corsa, graça de arlequim,
pose de Diva, corpo de areia e luz.
E quero que me dês, me dês muito, que me dês tudo,
e que abras as janelas de par em par ao Tejo
e fecundes um poema em cada gesto
e voes como a gaivota em cada espreguiçar
e partas para a Índia em cada cacilheiro
e que sejas, mores, vivas e creias
longe
muito longe daqui...

quero que sejas profundamente minha e ritual
obsessiva e lúcida, doente, febril, tremendo de desejo
disposta a tudo e a mais e a muito mais,
boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema
e sobretudo Mulher e sobretudo amante.
Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal
responde-me
que eu fico aqui, eterno, à tua espera.


Pedro Barroso.
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my sweet 'cotton club' mood: "Gritar"_ Marta Dias-_---_..¨¨--....
_____________________________"Desamparado"_Matt Elliot-_----¨¨--..
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segunda-feira, 23 de março de 2009

marcador.

























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"Léolo", 1992;
Jean-Claude Lauzon.

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passagens:

















«Parce que moi, je rêve, moi, je ne le suis pas...»

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in L'avalée des avalés de Réjean Ducharme, um escritor, poeta e sonhador que me foi revelado por "Léolo", no mais recente filme da minha vida, sobre o qual impõe-se-me descobrir urgentemente.


«Porque sueño yo no lo estoy. Porque sueño... sueño. Porque me abandono por las noches a mis sueños antes de que me deje el día. Porque no amo. Porque me asusta amar. Ya no sueño. Ya no sueño».

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Um sentido agradecimento, acompanhado de um **inho, à minha dolce-e-cabana-d'alcochete, a minha quiche de cogumelos, a menina Vânia, que me fez o favor de "saQuear" o dito filminho algures numa versão exótica, sui generis, açucarada e apaixonante, ou seja em espanhol :).´
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a galope de quixote sigo a viagem de rimbaud, como no sonho de la barca, e pelo caminho encrontro léolo.













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Léolo.
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[momentos há em que remete p/ o universo "Brutti Sporchi e Cattivi" de Ettore Scola...]
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perderam-se de vista.

Já não tenho olhos. Tenho olhos.
Meus olhos não têm cor. De que cor são?
Já não tenho olhos castanhos.
Meus olhos perderam a cor.
Meus olhos perderam o coração.
Já não tenho olhos. Tenho olhos.
Diz-me de que cor são.

a.a.a.: associação dos alter-anónimos.














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"Fight Club" , 1999;
David Fincher.


E ela estragou tudo. Esta miúda, a Marla Singer, não tinha cancro nos testículos. Era uma mentirosa. Não tinha doença nenhuma. Tinha-a visto no "Livre e Limpo", o meu grupo das quintas-feiras. Depois no "Hope", o meu grupo bimensal de drepanócritos. E de novo, no "Agarre o Dia", o grupo de tuberculose, sextas à noite...
A Marla, a grande turista...
A mentira dela reflectia a minha.
E de repente, eu não sentia nada. Não conseguia chorar. E mais uma vez, não conseguia dormir.
O grupo seguinte, após meditação guiada, após abrirmos as chacras do coração, quando chegar a hora do abraço, vou agarrar aquela cabra da Marla Singer e gritar: 'Marla, sua mentirosa! Sua grande turista, eu preciso disto! Fora daqui!'.
Não dormi durante quatro dias. Quando se tem insónias, nunca se dorme. E nunca se está de facto acordado (...).
Se tivesse um tumor, chamava-o de Marla: 'Marla, a esfoladela no céu da boca sarava se parasses de passar a língua. Mas não consegues'.(...)

- Ei! Precisamos de falar.
-Claro.
-Sei das tuas intenções.
-O quê?
-Sim. És uma fingida. Não estás a morrer.
-Como?
-No sentido da palavra de Sylvia Plath, estamos todos a morrer. Mas não a morrer como a Chloë.
-E?
-E és uma turista. Já te vi. Vi-te no grupo do melanoma, vi-te no da tuberculose. Vi-te no do cancro dos testículos!!
-Vi-te a fazer isto.
-A fazer o quê?
-A repreender-me. Está a correr bem... Ruppert.
-Eu acuso-te.
-Vá. Que acuso-te a ti.

[Juntem-se. Chorem, - propõe a psicóloga ao grupo dos anónimos. Marla aproxima-se e abraça-o...]

- Oh, Senhor... Porque fazes isto?

- É mais barato que ir ao cinema e há café de graça.

domingo, 22 de março de 2009

sempre assim: a minha estada na conde de valbom.





















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...doce & perfumada. .
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"Parfum Miss Dior Chérie L'Eau",
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spot publicitário realizado por Sofia Coppola (2008);
música: "Moi Je Joue" de Brigitte Bardot.

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@estado: somewhere under the 115 esq. pius mercis à tous... ...
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coisas que me [re]surgem:

















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tu.
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incursões: (...) há ir e voltar... -te.







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Eu andei para marinheiro
mas pus óculos e fiquei em terra.

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d' Alexandre O'Neill.

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...e revoltar-me.


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sábado, 21 de março de 2009

pierrot la foule.




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#1.




















#2.
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«no fundo, no fundo, sou parvo(a), mas tem de ser...»
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disse Pierrot, que não era pierrot e muito menos louco...


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a cor da loucura a pano cru.



































segunda, terça,

quarta, quinta,

sexta-feira

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sábado e domingo.
ouvê aqui.


my sweet 'cotton club' mood: "A Little Lost"_ Jens Lekman-_---_..¨¨--....
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quinta-feira, 19 de março de 2009

comunicado oficial:










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"Radio Days", 1987;
Woody Allen.


compromissos publicitários: eu + Dali + passatempos = Rádio Clube; passatempos + Rádio Clube = a parelha, a dupla imbatível, eu & Dali, the unique winners!

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Convidados especiais p/ o "Pavilhão Auditivo" desta semana:


"15 step": Radiohead; "Break up the concrete": The Pretenders; "Le Soleil Est Près De Moi": Air; "Cold Cold Ground": Tom Waits;"Straight To Hell": The Clash; "Requiem": M. Ward ;"Prelude in C Minor": Chopin; "Far Away": Jay Jay Johanson; "How It Ends": Devotchka; "Let's Dance": M. Ward; "Dancing With Myself ": Billy Idol"; "Dance, Dance, Dance": Lykke Li feat. El Perro del Mar; "Dance, Dance, Dance": Lykke Li feat. Bon Iver; "Schönes Mädchen":Hauschka; "Waterfall.": Stone Roses; "Credit in the Straight World ": Young Marble Giants; "Death is the Road to Awe": Clint Mansell; "For Now": Thomas Feiner & Anywhen; "On the Nickel":Tom Waits; "Straight to Hell": Josh Rouse; "Aurora": Bjork; "No Fit State"[1/2"Temptation"/New Order]: Hot Chip; "Forbidden Colors": Ryuichi Sakamoto [solo piano]; "L'Orange":Gilbert Bécaud; "Rit it up": Orange Juice; "Dirty Dream Number 2": Belle and Sebastian; "Frozen Orange Juice": Peter Sarstedt; "Where do you go to my lovely": Peter Sarstedt; "Machine Gun": Jimi Hendrix; "Gun Street Girl": Tom Waits; "Wild Thing": Jimi Hendrix; "Temptation":Tom Waits;"Perdita": Rubber City; "Louie, Louie": Richard Berry;"The Stranglers": Golden Brown; "Waterloo Sunset" + "Lola": The Kinks; Al Pacino": Micro Audio Waves; "Little Bit": Lykke Li; ""'Til The End Of Time":Devotchka; "All I Want Is You": Barry Louis Polisar; "Requiem Pour Un Con": Serge Gainsbourg; "Umebayashi Shigeru": Yumeji's Theme; Mushaboom: Feist; "Rainbow Flag": Matmos; "Fistful Of Love": Antony And The Johnsons; "Walk On By": Isaac Hayes; "Once In A Lifetime": David Byrne; "Lakme":Maria Callas;"The Menahan Street Band": The Contender; "Make It Easier ": Ghosty; Space Oddity":David Bowie; "Liberty City": Richard Bona; "New York": Cat Power; "New York is a Woman": Suzanne Vega; "No Man's Land": Sufjan Stevens; "She's not there": The Zombies; "Superstar": Sonic Youth; "Sea Of Love": Cat Power; "I'm Good i'm gone": Lykke Li; "Glory to the World": El Perro del Mar;

enfim: "Superfreak" (em versão Little Miss Sunshine :) Rick James & "Final Day": Young Marble Giants.
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quarta-feira, 18 de março de 2009

coisas que me [re]surgem:




"Pierrot della Banana", 18/03/2009;

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realização: Avant-Guarda.

idealização: Laranjinha.

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Avant-guarda, compreendes agora as razões que me levaram a desistir? Sem destreza, nem paciência...

eis a minha vergonha em estado bruto...



















Eu e o postóshop nunca tivemos uma relação pacífica; como se vê, eu nunca quis nada c/ ele.
e ele, muito menos comigo! incompatibilidade irreconcíliável, irreversível e irremediável.



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Díptico dos duques de Urbino: Isabella Battista Sforza (1465) e Federico da Montefeltro,(1472);

Piero della Francesca.

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= 0-à-esq.

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santos apócrifos.



Aspecto geral da fachada posterior do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra.
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pormenor#1.
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pormenor#2.
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São Rafael* e outros quantos beatos às portas da canonização.
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[*] envolto numa casula com mitra ultra-trendy, pós-modernista, na senda da tetralogia "Rocky", com assinatura Dolce&Gabanna.
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neo-metropolis.






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"VENUSIA", 8:00 min, 2007;

Aline Bouvy / John Gillis.

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Assunto:

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«VIDEONALE 12 - Festival of Contemporary Video Art 26th March - 26th April 2009

(...) A collage of pictures taken from glossy magazines develops as amystical vision of life and decay - dark, macabre and elegant all atthe same time: This video, by Aline Bouvy and John Gillis, residentsof Brussels, is one of 43 selected works that the VIDEONALE 12 willbe showing from 26th March to 26th April 2009 in the KunstmuseumBonn. 1445 current video works from 74 countries were inspected bythe 6 members of the jury to make the selection. “This boldness mustexist for the selection, and so I think it is extremely importantthat there are festivals such as the VIDEONALE. It has always beenexciting to see what is coming next,” says Professor WulfHerzogenrath, Director of the Kunsthalle Bremen, and a German pioneeron the field of videos.
With a special exhibition, the VIDEONALE also casts a glance at its25-year history: From each of the VIDEONALE competitions hitherto,curators Susanne Hinrichs and Georg Elben have selected a work torepresent the competition of the year concerned. In each case, this“historical” work is accompanied by a current video by the artistconcerned. Within the 3-day programme from 26th to 28th March, theVIDEONALE will be focusing on current tendencies in video art,reinforced by more than 30 projects by art students from the whole ofGermany, to which the 28th March is devoted, with interventions in theKunstmuseum Bonn and at various other locations in central Bonn.
The VIDEONALE - founded in Bonn in 1984 - is the organiser of one ofthe oldest video festivals in the world. Since then the festival hasgrown steadily, and has developed in this field into a leadinginstitution for current video art. Since 2004, the VIDEONALE has beenusing the premises of the Kunstmuseum Bonn, making a meaningfulcomplement to the video pioneers from the bequest of IngridOppenheim, who as an art collector and patron of the arts laid theideal foundations of today’s VIDEONALE in the late 1970s. (...)»

+info: num dos melhores sítios de divulgação artística - Artipedia.

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registo factual: coimbra.



























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outras definições e atributos [com]prováveis e [re]provados, aqui.
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era "mulher" para:


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me ter casado com André Malraux.





ter exigido à divina providência que a marcha nupcial, ou a lua-de-mel, ou sei lá que mais se realizasse ao som dos Animal Collective. Um contra-senso. eu sei. uma mentira retumbante que não deve ser levada a sério. Mas eu gosto. gosto muito. e é o que se ouve de momento. porque gosto. gosto tanto-tanto, tantíssimo... deste video-clip: dopamina, seratonina e endorfina espiritual puras e duras. Colírio visual e espiritual e sei lá que mais terminado em -al... fenomenal.

Enfim, era "gaija"* para me casar com este clip. absolutamente over-dose-balsâmico para o espírito.



[*] expressão roubada, não autorizada, à léstrica avant-guarda, a.k.a a minha dolce-e-cabana-d'alcochete.
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space is the place.


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«Prefiro ser cinza do que pó. Prefiro ser um meteoro com todos os átomos numa magnífica incandescência do que um sonolento planeta permanente».
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Jack London.
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@myspace: my sweet 'cotton club' mood.

terça-feira, 17 de março de 2009

permanecer aquém.




Fever Ray + Mário de Sá Carneiro= almas gémeas. veneráveis. disparate? talvez.


Porquê? porque sim. porque ambos são Caranguejolas, Serradura e falta-lhes sempre qualquer coisa. O quê? um golpe de asa. E o sentimento de inércia, desalento e desencanto? parece que os acompanha. sempre.


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Excerto de uma carta de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa escrita em Paris, a 21 de Janeiro de 1913.

«[...] Na minha psicologia deveras emeandrada há coisas interessantes que lhe detalharei de vez em quando, muito por alto, em paga dos seus estudos. Olhe, por exemplo: a impossibilidade de renúncia. Escute:Eu decido correr a uma provável desilusão. E uma manhã, recebo na alma mais uma vergastada - prova real dessa desilusão. Era o momento de recuar. Mas eu não recuo. Sei já, positivamente sei, que só há ruínas no termo do beco, e continuo a correr para ele até que os braços se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem saída. E você não imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!… Há na minha vida um bem lamentável episódio que só se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplicável. Mas não era, não era. É que eu se começo a beber um copo de fel, hei-de forçosamente bebê-lo até ao fim. Porque - coisa estranha! - sofro menos esgotando-o até à última gota, do que lançando-o apenas encetado. Eu sou daqueles que vão até ao fim. Esta impossibilidade de renúncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo tratá-la num dos meus contos, mas na vida é uma triste coisa. Os actos da minha existência íntima, um deles quase trágico, são resultantes directos desse triste fardo. E coisas que parecem inexplicáveis, explicam-se assim. Mas ninguém as compreende. Ou tão raros…Se fui levado a estas divagações é que presentemente numa circunstância análoga me encontro. Lancei-me na carreira a uma ilusão dourada - pobre ilusão! - Ela podia entretanto ser uma realidade. Mas antes de ontem lá recebi, mais uma vez, a vergastada na alma. E continuo a correr…Depois sinto-me tão pequeno, tão fraco, tão pouca coisa…E sempre um calafrio na espinha, arrepiante, estirilizante…E é nestes momentos ainda assim que - ó miséria! - encontro um pouco de cor-de-rosa na vida… [...]»


Paris, 14 de Maio de 1913: um poema

Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir faltou-me um golpe d’asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Assombro ou paz? Em vão… tudo esvaído

Num baixo mar enganador d’espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quasi vivido…
Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,

Quase o princípio e o fim, quasi a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo… e tudo errou…

- Ai a dôr de ser-quasi, dôr sem fim…
-Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não vôou…
Momentos d’alma que desbaratei...

Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ansias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indícios…

Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d’heroe, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipicios…
Num ímpeto difuso de quebranto,

Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi

………………………………….

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra alem!
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…


in “Mário de Sá-Carneiro Correspondência com Fernando Pessoa (Vol. I)” ed. de Teresa Sobral Cunha, Lisboa: Relógio d’Água, 2003.

espectro cadavérico.



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"Alexandre Herculano", 1889;

Columbano Bordalo Pinheiro.

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«...Estou a vê-lo com os seus olhos muito azuis e as barbas loiras. Vestia bem, sem afectação e sobriamente...

Era calmo, delicado, afável, nenhuma tragédia transparecia na sua maneira quase alegre». Columbano, vendo-o.

[...]

«Estou muito bem como pintura, mas idealizado, como todas as composições

desse pintor neo-vellazquiano, no sentido do fantástico e do tenebroso.» Herculano, vendo-se.

...and they found a different way.